Projeto piloto · Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa (Acre, Brasil)
Fase 1 — Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa · Período: maio - dezembro de 2025
22educadores beneficiários diretos
200alunos nas oficinas ambientais
52 hde formação
3módulos de aprendizagem presencial e a distância
Projeto piloto 2025 · Povo Puyanawa
Apresentação
O projeto “Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia” promove, com os educadores indígenas, o letramento digital crítico e um debate profundo sobre a conectividade no território habitado pelos povos indígenas. Por meio do Fundo Catalão e em cooperação com diferentes municípios da Catalunha, oferecemos formação docente para o uso educacional da tecnologia, oficinas de sustentabilidade e a doação de equipamentos de informática para escolas indígenas da Amazônia.
A ONG Guardians de l’Amazònia, os beneficiários e os profissionais contratados trabalham em conjunto com o povo Puyanawa há 10 anos, o que permitiu estabelecer uma base sólida de confiança e compreensão mútua, garantindo a execução eficaz do projeto Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia.
A Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia tem como objetivo facilitar o acesso a ferramentas digitais para educadores indígenas, promovendo a formação para seu uso ético e seguro, a fim de fortalecer a comunicação entre os povos, bem como preservar suas línguas, suas tradições culturais e a capacidade dessas comunidades de enfrentar os desafios sociais e ambientais contemporâneos.
Graças à cooperação internacional entre a ONG Guardians de l’Amazònia e o Fundo Catalão, com o apoio financeiro dos municípios de Molins de Rei e Begues (Barcelona), 22 educadores da Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia receberam bolsas para uma formação estratégica na Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa. Com carga horária de 52 horas, a iniciativa promoveu a convergência entre a inovação tecnológica e a proteção do patrimônio genético e dos conhecimentos tradicionais associados.
Dois eixos fundamentais da formação
Inclusão e letramento digital
Estimular o desenvolvimento de capacidades para o uso crítico e bioético das ferramentas digitais e da inteligência artificial, assegurando a soberania dos dados e a integridade cultural.
Produção de material didático indígena
Desenvolvimento de conteúdos pedagógicos autônomos que valorizem e registrem os conhecimentos tradicionais associados de forma ética.
O projeto se destaca pelo uso pioneiro da IA como ferramenta de salvaguarda do território, garantindo que o avanço tecnológico caminhe lado a lado com a proteção dos direitos e da sabedoria ancestral dos povos da floresta.
A preservação da cultura e do patrimônio genético é outro pilar fundamental do projeto. Por meio da Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia, são promovidos intercâmbios culturais e educacionais entre as escolas de Molins de Rei e a Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa, incentivando a compreensão intercultural e o respeito à diversidade.
Além da educação digital, o projeto contou com um módulo de educação ambiental, no qual foram desenvolvidas atividades para incentivar a conscientização e a adoção de práticas sustentáveis entre os estudantes puyanawa. Simultaneamente às atividades na escola puyanawa, foram realizadas ações de sensibilização intercultural com escolas de Molins de Rei, na Catalunha.
Escolas na Europa
Escolas indígenas
Conexão entre o Norte e o Sul Global desde 2017.
Resultados obtidos — Fase 1 (Aldeia Puyanawa)
Quanto às ações desenvolvidas no período, foi realizada a adequação do espaço educativo destinado à sala multimídia coletiva, conforme previsto no projeto inicial. Essa ação incluiu a melhoria da instalação elétrica da sala, a instalação de ar-condicionado para garantir condições adequadas de uso e a implantação da conexão à internet por meio do sistema Starlink, já contemplada no projeto aprovado. Além disso, foram incorporados uma tela de grande formato e um computador para facilitar a realização de sessões de formação on-line, videoconferências educacionais e a visualização coletiva de materiais pedagógicos.
Paralelamente, tiveram início as atividades de formação e acompanhamento dos professores, combinando sessões presenciais e on-line voltadas ao uso pedagógico e ético das tecnologias digitais.
A Fase 1 teve como objetivo geral capacitar educadores indígenas para o uso de tecnologias digitais e inteligência artificial como ferramentas pedagógicas, promovendo a inclusão e o fortalecimento da educação digital responsável nas aldeias. O trabalho foi estruturado em 3 módulos de aprendizagem:
Módulo 1Inclusão digital
Módulo 2Oficinas de EA (sustentabilidade)
Módulo 3Letramento digital na educação a distância (EaD)
Indicadores de participação
22Educadores inscritos no curso100% dos educadores
17Participaram ativamente da Fase 1Desistências: 1 desligada da escola (F), 1 problema de saúde (M), 1 problema com o horário (M), 2 por desinteresse (M)
17Concluíram o curso com sucesso16 mulheres e 1 homem
F = feminino; M = masculino.
Calendário de atividades — Fase 1 (2025)
Resumo do cronograma de trabalho do projeto. Dezembro: férias escolares.
Cronograma da Fase 1
Atividade
Datas
Ajuste da Starlink e avaliação da sala
Maio-junho
Instalação elétrica e ar-condicionado
Maio-junho
Compra de equipamentos de informática (Fase 1)
Julho-agosto
Instalação de equipamentos e formações
Julho-agosto e 14/09
Material didático e planejamento
14/09, 21/09, 28/09, 05/10 e 12/10
Aulas de inclusão digital (presenciais, professor Jonas)
14/09, 21/09, 28/09, 05/10 e relatório de aulas em 12/10
Análise do formulário
05/10
Apresentações gravadas dos professores
No encerramento da fase (após 11/12)
Relatório final
No encerramento da fase (após 11/12)
Supervisão e acompanhamento da Txai
Maio-junho, 28/09, 26/10, 09/11 e 27/11
Supervisão e acompanhamento do coordenador da escola
Maio-junho, todas as semanas de 14/09 a 11/12 e encerramento da fase
Formação presencial em meio ambiente (Queralt Solsona)
09/11
Supervisão e acompanhamento voluntário (Queralt Solsona)
De 14/09 a 02/11
Mentorias de grupos de educadores (Ivini e Jonas)
Fase 2
Fase 1 · Presencial
Módulo 1: Inclusão digital
Professor Jonas AnjosTécnico em informática e analista de sistemas
Metas do módulo (presencial)
Garantir a conectividade nas aldeias.
Gerenciar e manter os recursos digitais existentes.
Capacitar a direção na gestão digital de projetos educacionais.
Capacitar os educadores no uso dos computadores doados pela Secretaria Estadual de Educação.
Capacitar os educadores para transmissões ao vivo e ensino a distância (EaD).
Aula 1: Conceitos de TI, segurança digital e organização na nuvem
Data: 6 de setembro de 2025 · Duração: 3 horas
1.1 Objetivos da aula
Apresentar os conceitos fundamentais de Tecnologia da Informação (TI). Ensinar os princípios básicos de segurança digital, com foco na importância e no uso de antivírus. Demonstrar métodos de organização de arquivos utilizando serviços de armazenamento em nuvem (Google Drive). Familiarizar os participantes com os componentes básicos de um computador (hardware e software).
1.2 Conteúdo abordado e atividades realizadas
Conceitos fundamentais de TI: explicação sobre a diferença entre hardware (parte física, como mouse e teclado), software (parte lógica, como sistema operacional e programas) e malware (programas maliciosos).
Segurança digital: introdução e demonstração de antivírus (com foco em opções gratuitas e confiáveis) e orientações sobre como realizar verificações e manter o software atualizado.
Google Drive e contas: coleta e verificação dos e-mails pessoais dos professores para a criação e ativação das contas no Google Drive. Criação de uma estrutura de pastas e de um grupo de compartilhamento na “nuvem de trabalho” do projeto.
Inventário de hardware: cada professor identificou o hardware do seu notebook (processador, memória RAM e armazenamento), indicando problemas físicos para verificar a necessidade de manutenção técnica.
Uso responsável: orientação sobre a manutenção preventiva dos equipamentos e informação sobre o orçamento disponível para reparos.
1.3 Resultados e dificuldades encontradas
Observou-se pouco domínio no uso de notebooks (mouse, touchpad e teclado). Alguns professores conseguiram cumprir os desafios de forma autônoma, como fazer login no Gmail e identificar o hardware. No entanto, a maioria dos participantes precisou de auxílio individualizado nas atividades práticas.
Dificuldades identificadas:
Acesso e senhas: vários professores tiveram dificuldade para recuperar as senhas do Gmail devido à ausência de sinal telefônico na aldeia, o que impediu a verificação em duas etapas.
Familiaridade com software: alguns professores demonstraram conhecimento muito limitado da navegação básica no sistema operacional.
Prejuízo à continuidade: as dificuldades de login comprometeram a prática no Google Drive, exigindo mais tempo de suporte individual.
Aula 2: Uso básico do Windows 11, navegação segura e espelhamento de tela
Data: 13 de setembro de 2025 · Duração: 4 horas
2.1 Objetivos da aula
Apresentar a interface básica do Windows 11 (Área de Trabalho, Menu Iniciar, Barra de Tarefas).
Ensinar o manuseio correto e eficaz do mouse e do teclado (atalhos básicos, clique, arrastar e soltar).
Demonstrar como se conectar à internet de forma segura e navegar com responsabilidade.
2.2 Conteúdo abordado e atividades realizadas
Windows 11 básico: exploração da área de trabalho, função do Menu Iniciar e organização da Barra de Tarefas.
Mouse (touchpad) e teclado: exercícios práticos de manipulação básica (clique simples, clique duplo, arrastar e soltar), gestos comuns do touchpad e atalhos de teclado.
Conexão e navegação seguras: demonstração de como ligar/desligar o Wi-Fi, conectar-se à rede e identificar sites seguros (uso do “https”).
Espelhamento de tela: instrução prática sobre como utilizar a função nativa do Windows (Projetar/Conectar a um monitor sem fio) para espelhar o conteúdo do notebook na smart TV.
2.3 Resultados e dificuldades encontradas
Os participantes demonstraram ganho significativo de confiança e agilidade, superando a dificuldade inicial da Aula 1.
Espelhamento de tela: a demonstração gerou grande interesse, sendo vista como uma ferramenta com potencial de uso imediato em apresentações em sala de aula.
Engajamento: o engajamento aumentou notavelmente em relação à Aula 1.
Instruir os professores sobre o conceito de cidadania digital e as competências necessárias para a documentação digital educacional.
Capacitar os participantes no uso e na navegação do portal Gov.br como ferramenta de consulta e serviço para educadores.
Apresentar métodos de segurança e proteção de dados em dispositivos móveis (smartphones).
Demonstrar e praticar o processo de assinatura digital de documentos oficiais.
3.2 Conteúdo abordado e atividades realizadas
Cidadania digital: introdução ao conceito, com foco na importância da organização de documentos digitais e do uso responsável das ferramentas on-line.
Portal Gov.br: orientações completas sobre como acessar, navegar e utilizar o portal, incluindo a autenticação de dois fatores, o reconhecimento facial e a recuperação de acesso.
Segurança em dispositivos móveis: práticas essenciais de segurança, como a configuração de senhas fortes e a cautela com as permissões de aplicativos.
Assinatura digital: demonstração prática do processo de assinatura de documentos digitais via Gov.br.
3.3 Resultados e dificuldades encontradas
A aula teve forte ênfase na prática imediata, com os professores realizando os procedimentos de acesso ao Gov.br em seus próprios dispositivos simultaneamente à instrução. Vários professores conseguiram configurar o acesso e assinar documentos digitalmente com sucesso.
Dificuldade persistente: a principal dificuldade foi recuperar o acesso às contas e gerenciar a autenticação de dois fatores, inviabilizada pela ausência de sinal telefônico na aldeia. Os professores com problemas de acesso tiveram de concluir o processo de recuperação nos dias seguintes, com o apoio do professor.
Aula 4: Videoconferência (Google Meet) e organização de periféricos
Data: 11 de novembro de 2025 · Duração: 4 horas
Objetivos da aula
Capacitar os professores no uso do Google Meet para agendar, participar, conduzir e gravar videoconferências educacionais.
Ensinar a configuração e a organização corretas dos periféricos de áudio e vídeo (microfone, alto-falantes, webcam, monitores e TV).
Apresentar e praticar a função de espelhamento e compartilhamento de tela em reuniões on-line.
Principais resultados
Maior domínio do Google Meet: os professores demonstraram grande interesse e sucesso no uso da ferramenta, conseguindo agendar, entrar e conduzir reuniões simuladas de forma autônoma.
Integração de hardware: a prática de conectar e configurar os periféricos (TV/monitor, áudio e webcam) foi bem-sucedida.
Superação da barreira inicial: o progresso do grupo foi notável, partindo de dificuldades básicas de login na Aula 1 até a condução de videoconferências com múltiplos periféricos.
Aula 5: Formação de grupos para o desenvolvimento de projetos
Data: 8 de novembro de 2025 · Duração: 3 horas
A aula foi dedicada à discussão e à organização dos grupos de trabalho e ao levantamento das primeiras ideias para os projetos a serem desenvolvidos durante o curso. O foco principal foi o uso da tecnologia como meio para a preservação cultural, o registro digital da língua e dos costumes, a produção de conteúdo autêntico pela comunidade e o fortalecimento da autonomia tecnológica dos participantes.
Propostas de projetos discutidas: dicionário digital da língua puyanawa; digitalização do festival cultural; sistema de inscrição on-line e controle de visitantes; plataforma digital para a comercialização de artesanato e produtos culturais.
Fotos — Aulas presenciais de inclusão digital
Fase 1 · Educação ambiental
Módulo 2: Oficinas de sustentabilidade
Professora Queralt Solsona RosellGraduada em Ciências Ambientais, mestre em Economia Circular e Desenvolvimento Sustentável
Oficina 1 — O lixo
Data: 16 de outubro de 2025 · 200 alunos da Educação Infantil e dos Ensinos Fundamental e Médio
As atividades educativas foram organizadas nos períodos da manhã e da tarde, adaptadas às diferentes faixas etárias. Pela manhã, com alunos de 7 a 11 anos, o trabalho teve como foco os resíduos a partir da realidade local e da própria comunidade. Por meio de uma apresentação audiovisual interativa e de uma atividade artística em grupo, as crianças refletiram sobre os impactos do lixo, os tipos de resíduos e as boas práticas. Em cartolinas, representaram o rio da comunidade em dois cenários — poluído e limpo —, identificando resíduos como plásticos e pilhas, bem como as consequências ambientais e sociais. A atividade estimulou a criatividade, o trabalho em equipe e a expressão oral, culminando em apresentações para toda a escola, que também incorporaram elementos culturais, como sons da natureza e danças tradicionais puyanawa.
À tarde, as atividades foram direcionadas a alunos de 11 a 17 anos, com uma abordagem mais ampla e global, relacionando as ações individuais aos impactos ambientais em escala mundial. Foram apresentados exemplos reais de diferentes partes do mundo: Gana, Bangladesh, os oceanos e a própria Amazônia. Os alunos pesquisaram e fizeram apresentações sobre diferentes tipos de resíduos, analisando os impactos ambientais, sociais e na saúde, além de possíveis soluções baseadas nos 3 Rs: reduzir, reutilizar e reciclar.
Oficina de sustentabilidade na escola.
Oficina 2 — Mudanças climáticas
Data: 22 de outubro de 2025 · 70 alunos dos Ensinos Fundamental e Médio (11 a 17 anos)
Comunidades indígenas como os Puyanawa são especialmente vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, tanto por sua localização geográfica quanto pela dependência dos recursos naturais. Além disso, neste ano o Brasil sediará a COP30, onde a maioria dos povos indígenas se organiza para reivindicar seus direitos e seu papel fundamental na luta contra a crise climática.
A atividade educativa propôs uma abordagem introdutória e crítica sobre as mudanças climáticas e seus impactos, com apoio de apresentações em PowerPoint e materiais participativos. Os alunos conheceram conceitos como aquecimento global, efeitos climáticos, áreas mais vulneráveis, causas humanas da crise climática e justiça climática, com exemplos práticos e a valorização das boas práticas dos povos indígenas, como os Puyanawa.
Abordagem por ano (Ensino Fundamental):
6º ano: hidrelétricas
7º ano: mineração e garimpo
8º ano: pecuária e monocultivos
9º ano: queimadas ilegais e mercados de carbono
No Ensino Médio, o foco esteve na relação entre biodiversidade, terra, cultura e cidadania e a preservação do ecossistema amazônico e a justiça climática, destacando temas como a demarcação de terras indígenas e a valorização de modos de vida sustentáveis. O projeto culminou com uma apresentação final dos resultados para toda a comunidade escolar.
Fotos — Oficinas de sustentabilidade
Professora Queralt, da Espanha (voluntária da ONG Guardians de l’Amazònia), cientista ambiental, mestra em Economia Circular e Desenvolvimento Sustentável. Ministra aulas para educadores e alunos do Ensino Médio.
Exemplos das apresentações das oficinas
Alguns slides das apresentações “Mudanças climáticas” e “O lixo”, preparadas para as oficinas com os alunos.
O que são mudanças climáticas?
O efeito estufa
Justiça climática
Avião ou barco: pegada de carbono
Comunidade Puyanawa e floresta
Os efeitos do lixo
Tempo de decomposição
Deserto de roupas em Gana
Reduzir, reutilizar, reciclar
Fase 1 · A distância
Módulo 3: Letramento digital
Aulas ministradas via Google Meet.
Professora Ivini FerrazMestra em Ciências
Aula 1: Introdução ao letramento digital
Data: 19 de outubro de 2025 · Local: Google Meet
A aula marcou o início do projeto piloto de letramento digital na Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia. A professora Ivini Ferraz, com formação em educomunicação e atuação no Ministério do Meio Ambiente e na UNESCO, apresentou a distinção crucial entre inclusão digital (acesso e infraestrutura, um direito fundamental no Brasil desde 2021) e letramento digital (uso crítico e compreensão da tecnologia). O contexto da aula situou o ambiente digital como uma nova “ecologia”, que reformula a própria concepção de meio ambiente. O tema central foi a hiperconectividade na Amazônia e o dilema entre os benefícios e os riscos da digitalização.
Aula 2: Ecologia das mídias
Data: 25 de outubro de 2025 · Local: Google Meet
O tema central abordado pela professora Ivini Ferraz foi o letramento digital e a ecologia das mídias, com foco em como as funcionalidades dos aplicativos do Google (Gmail, Drive, Docs, Agenda, Fotos, Sites e YouTube) podem ser aplicadas no contexto educacional. Foram discutidas as distinções entre ecologia das mídias e ecossistemas digitais, o software livre e a questão da coleta de dados e da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), explicando que, em plataformas “gratuitas” como Google e ChatGPT, os dados dos usuários se tornam mercadoria, o que caracteriza o trabalho digital não remunerado.
Aula a distância pelo Google Meet.
Aula 3: Tecnodiversidade
Data: 30 de outubro de 2025 · Local: Google Meet
O conteúdo abrangeu uma base teórica e prática, começando pela etimologia da palavra “tecnologia” e sua história. Essa discussão serviu de ponte para contextualizar a inteligência artificial por meio do Teste de Turing (1950). O curso avançou para uma crítica decolonial da técnica com o conceito de “cosmotécnica” de Yuk Hui, questionando a universalidade da técnica ocidental e defendendo uma “decolonização da técnica” e a “epistemologia do Sul Global”. Foi citado o livro Futuro ancestral, de Ailton Krenak. Também foi feito um alerta sobre o “design persuasivo” das telas e o “capitalismo de plataforma”. A Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa compartilhou sua experiência, reconhecendo que as novas tecnologias são cruciais para a documentação administrativa e a preservação cultural, especialmente para o arquivo das tradições ancestrais.
Aula 4: Inteligência artificial e estrutura de prompts
Data: 6 de novembro de 2025 · Local: Google Meet
A aula se concentrou na inteligência artificial (IA) e em seu uso em sala de aula. O tema central foi a estrutura de prompts eficazes, detalhando os cinco elementos essenciais: contexto, tarefa, formato, tom e público. A aula também abordou o uso da IA na criação de projetos, como a organização de chats por tema e a anexação de documentos específicos para embasar as respostas.
Aula 5: Ferramentas para a criação de projetos educacionais
Data: 13 de novembro de 2025 · Local: Google Meet
Foram revisados os três temas dos projetos finais e apresentadas diversas ferramentas: Google Forms (enquetes e análise de dados), Google Slides (alternativa ao PowerPoint), Gamma App (IA generativa para apresentações), Google Sites (criação de sites responsivos), Wix (alternativa mais robusta) e o uso da IA para sintetizar as respostas de formulários.
Aula 6: Elaboração de projetos com IA
Data: 19 de novembro de 2025 · Local: Google Meet
A aula teve como foco a elaboração de projetos com inteligência artificial. Ivini Ferraz demonstrou o uso prático de ferramentas de IA generativa, como ChatGPT, Gemini e Claude, para a escrita de projetos. Um ponto central foi o debate sobre o uso da IA em trabalhos acadêmicos: o maior risco não é o plágio, mas a IA “alucinar” e fornecer referências incorretas. A recomendação foi sempre usar prompts avançados e submeter o texto gerado à revisão humana.
Aula 7: Canva para educadores (parte 1)
Professora Karla PriscilaMestra em Tecnologias Educacionais
Data: 27 de novembro de 2025 · Local: Google Meet
Esta aula foi ministrada pela convidada Karla Priscila, gestora de tecnologias educacionais e embaixadora do Canva.com no Brasil. O foco foi a obtenção da conta “Canva para Educação”, gratuita e permanente para professores, com acesso a todos os recursos Pro e ferramentas de IA. Foram demonstradas a exploração e a personalização de modelos prontos, a ferramenta “Maker Activities” para caça-palavras e palavras-cruzadas personalizados e funcionalidades de IA como “Borracha Mágica”, “Captura Mágica” e “Edição Mágica”.
Materiais elaborados no Canva pelos professores
Exemplos da “Cartilha de Ervas Medicinais Puyanawa” e do livro “Os guardiões da floresta”, elaborados por professores da escola.
Cartilha de ervas medicinais: capa
Boldo
Pau-d’arco roxo
“Os guardiões da floresta”: capa
O macaco
A onça-pintada
Aula 8: Canva para educadores (parte 2)
Professora Ivini Ferraz · Data: 10 de dezembro de 2025 · Local: Google Meet
A aula ministrada por Ivini Ferraz propôs uma abordagem integral do Canva para a produção de materiais didáticos. Foram detalhados recursos avançados, como a organização de designs em pastas, a funcionalidade Kit de Marca e o armazenamento ilimitado. Foram enfatizados conceitos fundamentais de design, como as camadas, e foi apresentado o recurso Mockups para visualizar designs em modelos de objetos.
Material de letramento digital para educadores.
Aula 9: Palestra do MMA — Departamento de Patrimônio Genético
Data: 11 de dezembro de 2025 · Local: Google Meet
A palestra ministrada por Rodrigo de Albergaria, analista do Ministério do Meio Ambiente, tratou do marco legal e dos mecanismos de proteção do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (CTA) no Brasil. Foram apresentados o mecanismo de Consentimento Prévio Informado (CPI), a repartição de benefícios (1% para o Patrimônio Genético, 0,5% para o CTA) e o papel do CGen (Conselho de Gestão do Patrimônio Genético). Foram destacadas a oportunidade de participar do Prêmio 2025 Guardiões da Sociobiodiversidade (R$ 50.000) e a possibilidade de um curso on-line sobre a lei voltado especificamente para escolas indígenas.
Fotos — Letramento digital na educação a distância (EaD)
Avaliação de habilidades digitais
1. Metodologia do diagnóstico
O diagnóstico das capacidades digitais e das condições tecnológicas da escola foi realizado em duas etapas complementares, o que permitiu obter uma visão mais completa e atualizada da situação.
Etapa 1 — Diagnóstico inicial (novembro de 2024)
Realizada pela Fundação Txai em parceria com a ONG Guardians de l’Amazònia durante o 1º Encontro na Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa. Foram utilizados questionários estruturados, entrevistas semiestruturadas e diálogo com professores e lideranças. Participaram cerca de 10 docentes.
Etapa 2 — Questionário de atualização (outubro de 2025)
Foi aplicado um questionário ampliado a 17 educadores, o que permitiu atualizar o diagnóstico inicial, obter dados quantitativos mais precisos e identificar prioridades formativas concretas.
2. Informações demográficas e escolaridade
Indicador
Resultado
Mulheres
94,1% (16 de 17)
Homens
5,9% (1 de 17)
Faixa etária predominante
De 31 a 42 anos (58,8%)
Ensino superior completo
52,9%
Pós-graduação
29,4%
Mestrado
5,9%
3. Conectividade e equipamentos
Indicador
Resultado
Wi-Fi em casa
82,4%
Dependem de 4G/5G
17,6%
Usam smartphone Android
88,2%
Ficam conectados “quase o tempo todo”
41,2%
Ficam conectados mais de 4 horas por dia
23,5%
4. Uso de ferramentas digitais e IA
Indicador
Resultado
Nunca usaram ChatGPT nem Gemini
58,8%
Usam IA com frequência
11,8%
Usam o Google com frequência (Docs, Sheets etc.)
52,9%
Não sabem usar bem o Gov.br
52,9%
Usam videoconferência muito raramente
58,8%
5. Experiência pedagógica e interesses de aprendizagem
76,5% dos educadores já desenvolveram algum projeto utilizando tecnologia com seus alunos.
O Ensino Médio é o nível de atuação de 35,3% dos professores, e o Ensino Fundamental I, de 29,4%.
Maiores interesses de formação
Área
Educadores
Escrever projetos
58,8%
Edição de vídeo
47,1%
Fazer planilhas e contas
47,1%
6. Percepção do impacto da internet na comunidade
Benefícios identificados
Riscos identificados
Acesso ao conhecimento
Uso excessivo de redes sociais
Comunicação mais rápida
Jogos eletrônicos e distração em sala de aula
Apoio ao trabalho pedagógico
Acesso a conteúdos inadequados
Divulgação cultural da comunidade
Diminuição da interação presencial
Desenvolvimento de projetos educativos
Considerações finais
Competências aprimoradas após a formação
Utilização de ferramentas de videoconferência
Elaboração de material didático com o Canva
Acesso a serviços de manutenção de dispositivos
Aplicação consciente e acadêmica da inteligência artificial generativa
Utilização do pacote de aplicativos do Google (Agenda, Documentos, Apresentações, Planilhas)
Proteção e privacidade de dados
Assinatura digital
Manutenção de equipamentos, backup e proteção de arquivos
Três principais conclusões da análise
Infraestrutura digital limitada para uso pedagógico
A maioria dos professores tinha notebooks doados pelo governo do estado, mas sem a capacitação adequada para seu funcionamento correto, atualização, manutenção e proteção antivírus. São necessários monitores de 60 polegadas, microfones e webcams para o EaD em grupo.
Problemas na qualidade da energia elétrica da aldeia
A instalação elétrica da aldeia é bastante precária. Foi necessário custear consertos, um nobreak e o reforço do quadro de energia da escola para ligar o ar-condicionado e dar mais estabilidade aos equipamentos, principalmente nos períodos de chuva.
Forte interesse e motivação dos professores
Os depoimentos dos professores indígenas reforçam o interesse e a relevância do projeto Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia, incluindo o uso ético da IA na educação indígena, nos seguintes eixos: fortalecer as competências digitais dos professores; ampliar o uso pedagógico das tecnologias; apoiar a produção de conteúdos educativos; e integrar tecnologia, educação e valorização da cultura indígena.
A implementação dessas ações representa uma oportunidade concreta para fortalecer a educação, ampliar o acesso ao conhecimento e valorizar o patrimônio cultural e genético do povo Puyanawa. Acreditamos também que a educação digital do corpo docente favorece principalmente a formação dos alunos do Ensino Médio, o que pode ampliar o acesso de estudantes indígenas às universidades federais.
Resultados alcançados — Projeto piloto
Conexão via satélite.
Aquisição de novos equipamentos: uma tela de grande formato e um computador para as formações on-line, as videoconferências educacionais e a visualização coletiva de materiais.
Manutenção da parte elétrica da escola.
Climatização da sala da biblioteca.
Oficinas de educação ambiental e sustentabilidade com os alunos da escola.
Videoconferências interculturais entre os alunos da Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa e escolas da Catalunha, como a Escola El Palau, de Molins de Rei.
Participação no prêmio Guardiões da Sociobiodiversidade do Ministério do Meio Ambiente.
Ampliação das possibilidades de elaboração e captação de recursos para projetos liderados por educadores indígenas.
Possibilidade de trabalho colaborativo (em nuvem) entre educadores indígenas e parceiros globais.
Parceria com o DPG (Departamento de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente, MMA).
70% dos educadores indígenas contam com inclusão digital básica e acesso a serviços digitais essenciais, como o portal gov.br.
Fase 2: projetos apresentados
A Fase 2, prevista para 2026, inclui mentorias em grupo para 3 novos projetos coletivos, liderados por professores indígenas. Assista às apresentações dos grupos:
Grupo 1Digitalização e revisão da gramática puyanawa para a publicação do novo dicionário de bolso em 2027.Ver no YouTube ↗ (abre em uma nova janela)Ao clicar, o player do YouTube será carregado e pode armazenar dados no seu navegador.
Grupo 2Criação de um aplicativo para uma biblioteca de materiais indígenas.Ver no YouTube ↗ (abre em uma nova janela)Ao clicar, o player do YouTube será carregado e pode armazenar dados no seu navegador.
Grupo 3Criação de um catálogo digital (web) do artesanato puyanawa.Ver no YouTube ↗ (abre em uma nova janela)Ao clicar, o player do YouTube será carregado e pode armazenar dados no seu navegador.
Os vídeos são reproduzidos nesta mesma página, em português.
Créditos e contato
Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa — Acre, Brasil Relatório de atividades 2025 — Fase 1 ONG Guardians de l’Amazònia · Fons Català · Molins de Rei · Begues