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Fase 1 — Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa · Período: maio - dezembro de 2025

Projeto piloto 2025 · Povo Puyanawa

Apresentação

O projeto “Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia” promove, com os educadores indígenas, o letramento digital crítico e um debate profundo sobre a conectividade no território habitado pelos povos indígenas. Por meio do Fundo Catalão e em cooperação com diferentes municípios da Catalunha, oferecemos formação docente para o uso educacional da tecnologia, oficinas de sustentabilidade e a doação de equipamentos de informática para escolas indígenas da Amazônia.

A ONG Guardians de l’Amazònia, os beneficiários e os profissionais contratados trabalham em conjunto com o povo Puyanawa há 10 anos, o que permitiu estabelecer uma base sólida de confiança e compreensão mútua, garantindo a execução eficaz do projeto Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia.

A Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia tem como objetivo facilitar o acesso a ferramentas digitais para educadores indígenas, promovendo a formação para seu uso ético e seguro, a fim de fortalecer a comunicação entre os povos, bem como preservar suas línguas, suas tradições culturais e a capacidade dessas comunidades de enfrentar os desafios sociais e ambientais contemporâneos.

Graças à cooperação internacional entre a ONG Guardians de l’Amazònia e o Fundo Catalão, com o apoio financeiro dos municípios de Molins de Rei e Begues (Barcelona), 22 educadores da Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia receberam bolsas para uma formação estratégica na Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa. Com carga horária de 52 horas, a iniciativa promoveu a convergência entre a inovação tecnológica e a proteção do patrimônio genético e dos conhecimentos tradicionais associados.

Dois eixos fundamentais da formação

Inclusão e letramento digital

Estimular o desenvolvimento de capacidades para o uso crítico e bioético das ferramentas digitais e da inteligência artificial, assegurando a soberania dos dados e a integridade cultural.

Produção de material didático indígena

Desenvolvimento de conteúdos pedagógicos autônomos que valorizem e registrem os conhecimentos tradicionais associados de forma ética.

O projeto se destaca pelo uso pioneiro da IA como ferramenta de salvaguarda do território, garantindo que o avanço tecnológico caminhe lado a lado com a proteção dos direitos e da sabedoria ancestral dos povos da floresta.

A preservação da cultura e do patrimônio genético é outro pilar fundamental do projeto. Por meio da Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia, são promovidos intercâmbios culturais e educacionais entre as escolas de Molins de Rei e a Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa, incentivando a compreensão intercultural e o respeito à diversidade.

Além da educação digital, o projeto contou com um módulo de educação ambiental, no qual foram desenvolvidas atividades para incentivar a conscientização e a adoção de práticas sustentáveis entre os estudantes puyanawa. Simultaneamente às atividades na escola puyanawa, foram realizadas ações de sensibilização intercultural com escolas de Molins de Rei, na Catalunha.

  • Alunos e professores de uma escola posando em grupo em uma sala de aula
    Escolas na Europa
  • Grande grupo de alunos indígenas sentados sob uma ampla cobertura de madeira na aldeia
    Escolas indígenas

Conexão entre o Norte e o Sul Global desde 2017.

Resultados obtidos — Fase 1 (Aldeia Puyanawa)

Quanto às ações desenvolvidas no período, foi realizada a adequação do espaço educativo destinado à sala multimídia coletiva, conforme previsto no projeto inicial. Essa ação incluiu a melhoria da instalação elétrica da sala, a instalação de ar-condicionado para garantir condições adequadas de uso e a implantação da conexão à internet por meio do sistema Starlink, já contemplada no projeto aprovado. Além disso, foram incorporados uma tela de grande formato e um computador para facilitar a realização de sessões de formação on-line, videoconferências educacionais e a visualização coletiva de materiais pedagógicos.

Paralelamente, tiveram início as atividades de formação e acompanhamento dos professores, combinando sessões presenciais e on-line voltadas ao uso pedagógico e ético das tecnologias digitais.

A Fase 1 teve como objetivo geral capacitar educadores indígenas para o uso de tecnologias digitais e inteligência artificial como ferramentas pedagógicas, promovendo a inclusão e o fortalecimento da educação digital responsável nas aldeias. O trabalho foi estruturado em 3 módulos de aprendizagem:

  • Módulo 1Inclusão digital
    O professor Jonas Anjos ao lado de dois computadores preparados para a aula de inclusão digital
  • Módulo 2Oficinas de EA (sustentabilidade)
    A professora Queralt Solsona fala ao microfone para os alunos durante uma oficina de sustentabilidade
  • Módulo 3Letramento digital na educação a distância (EaD)
    Educadores indígenas acompanham uma aula por videoconferência em uma tela grande da sala

Indicadores de participação

  • 22Educadores inscritos no curso100% dos educadores
  • 17Participaram ativamente da Fase 1Desistências: 1 desligada da escola (F), 1 problema de saúde (M), 1 problema com o horário (M), 2 por desinteresse (M)
  • 17Concluíram o curso com sucesso16 mulheres e 1 homem

F = feminino; M = masculino.

Calendário de atividades — Fase 1 (2025)

Resumo do cronograma de trabalho do projeto. Dezembro: férias escolares.

Cronograma da Fase 1
AtividadeDatas
Ajuste da Starlink e avaliação da salaMaio-junho
Instalação elétrica e ar-condicionadoMaio-junho
Compra de equipamentos de informática (Fase 1)Julho-agosto
Instalação de equipamentos e formaçõesJulho-agosto e 14/09
Material didático e planejamento14/09, 21/09, 28/09, 05/10 e 12/10
Aulas de inclusão digital (presenciais, professor Jonas)Aula 1: 14/09 · Aula 2: 21/09 · Aula 3: 05/10 · Aula 4: 12/10 · Aula 5 (plantão de dúvidas): 09/11 · Aula 6: 16/11
Avaliação da etapa 111/12
Aulas de letramento digital (EaD)Primeira aula a distância: 19/10 · Aula 2: 26/10 · Aula 3 (Canva): 02/11 · Aula 4: 09/11 · Aula 5: 16/11 · Aula 6: 23/11 · Aula 7: 27/11 · Aula 8: 11/12
Palestra do Ministério do Meio Ambiente (MMA)11/12
Relatórios das aulas presenciais14/09, 21/09, 28/09, 05/10 e relatório de aulas em 12/10
Análise do formulário05/10
Apresentações gravadas dos professoresNo encerramento da fase (após 11/12)
Relatório finalNo encerramento da fase (após 11/12)
Supervisão e acompanhamento da TxaiMaio-junho, 28/09, 26/10, 09/11 e 27/11
Supervisão e acompanhamento do coordenador da escolaMaio-junho, todas as semanas de 14/09 a 11/12 e encerramento da fase
Formação presencial em meio ambiente (Queralt Solsona)09/11
Supervisão e acompanhamento voluntário (Queralt Solsona)De 14/09 a 02/11
Mentorias de grupos de educadores (Ivini e Jonas)Fase 2

Fase 1 · Presencial

Módulo 1: Inclusão digital

Professor Jonas AnjosTécnico em informática e analista de sistemas

Metas do módulo (presencial)

  • Garantir a conectividade nas aldeias.
  • Gerenciar e manter os recursos digitais existentes.
  • Capacitar a direção na gestão digital de projetos educacionais.
  • Capacitar os educadores no uso dos computadores doados pela Secretaria Estadual de Educação.
  • Capacitar os educadores para transmissões ao vivo e ensino a distância (EaD).

Aula 1: Conceitos de TI, segurança digital e organização na nuvem

Data: 6 de setembro de 2025 · Duração: 3 horas

1.1 Objetivos da aula

Apresentar os conceitos fundamentais de Tecnologia da Informação (TI). Ensinar os princípios básicos de segurança digital, com foco na importância e no uso de antivírus. Demonstrar métodos de organização de arquivos utilizando serviços de armazenamento em nuvem (Google Drive). Familiarizar os participantes com os componentes básicos de um computador (hardware e software).

1.2 Conteúdo abordado e atividades realizadas

  • Conceitos fundamentais de TI: explicação sobre a diferença entre hardware (parte física, como mouse e teclado), software (parte lógica, como sistema operacional e programas) e malware (programas maliciosos).
  • Segurança digital: introdução e demonstração de antivírus (com foco em opções gratuitas e confiáveis) e orientações sobre como realizar verificações e manter o software atualizado.
  • Google Drive e contas: coleta e verificação dos e-mails pessoais dos professores para a criação e ativação das contas no Google Drive. Criação de uma estrutura de pastas e de um grupo de compartilhamento na “nuvem de trabalho” do projeto.
  • Inventário de hardware: cada professor identificou o hardware do seu notebook (processador, memória RAM e armazenamento), indicando problemas físicos para verificar a necessidade de manutenção técnica.
  • Uso responsável: orientação sobre a manutenção preventiva dos equipamentos e informação sobre o orçamento disponível para reparos.

1.3 Resultados e dificuldades encontradas

Observou-se pouco domínio no uso de notebooks (mouse, touchpad e teclado). Alguns professores conseguiram cumprir os desafios de forma autônoma, como fazer login no Gmail e identificar o hardware. No entanto, a maioria dos participantes precisou de auxílio individualizado nas atividades práticas.

Dificuldades identificadas:

  • Acesso e senhas: vários professores tiveram dificuldade para recuperar as senhas do Gmail devido à ausência de sinal telefônico na aldeia, o que impediu a verificação em duas etapas.
  • Familiaridade com software: alguns professores demonstraram conhecimento muito limitado da navegação básica no sistema operacional.
  • Prejuízo à continuidade: as dificuldades de login comprometeram a prática no Google Drive, exigindo mais tempo de suporte individual.

Aula 2: Uso básico do Windows 11, navegação segura e espelhamento de tela

Data: 13 de setembro de 2025 · Duração: 4 horas

2.1 Objetivos da aula

  • Apresentar a interface básica do Windows 11 (Área de Trabalho, Menu Iniciar, Barra de Tarefas).
  • Ensinar o manuseio correto e eficaz do mouse e do teclado (atalhos básicos, clique, arrastar e soltar).
  • Demonstrar como se conectar à internet de forma segura e navegar com responsabilidade.

2.2 Conteúdo abordado e atividades realizadas

  • Windows 11 básico: exploração da área de trabalho, função do Menu Iniciar e organização da Barra de Tarefas.
  • Mouse (touchpad) e teclado: exercícios práticos de manipulação básica (clique simples, clique duplo, arrastar e soltar), gestos comuns do touchpad e atalhos de teclado.
  • Conexão e navegação seguras: demonstração de como ligar/desligar o Wi-Fi, conectar-se à rede e identificar sites seguros (uso do “https”).
  • Espelhamento de tela: instrução prática sobre como utilizar a função nativa do Windows (Projetar/Conectar a um monitor sem fio) para espelhar o conteúdo do notebook na smart TV.

2.3 Resultados e dificuldades encontradas

  • Os participantes demonstraram ganho significativo de confiança e agilidade, superando a dificuldade inicial da Aula 1.
  • Espelhamento de tela: a demonstração gerou grande interesse, sendo vista como uma ferramenta com potencial de uso imediato em apresentações em sala de aula.
  • Engajamento: o engajamento aumentou notavelmente em relação à Aula 1.
Capa do material “Módulo 1: Inclusão digital para educadores”, elaborado pelo Instituto Conectividade Consciente
Materiais produzidos pelo Instituto Conectividade Consciente.

Aula 3: Cidadania digital e serviços Gov.br

Data: 4 de outubro de 2025 · Duração: 4 horas

3.1 Objetivos da aula

  • Instruir os professores sobre o conceito de cidadania digital e as competências necessárias para a documentação digital educacional.
  • Capacitar os participantes no uso e na navegação do portal Gov.br como ferramenta de consulta e serviço para educadores.
  • Apresentar métodos de segurança e proteção de dados em dispositivos móveis (smartphones).
  • Demonstrar e praticar o processo de assinatura digital de documentos oficiais.

3.2 Conteúdo abordado e atividades realizadas

  • Cidadania digital: introdução ao conceito, com foco na importância da organização de documentos digitais e do uso responsável das ferramentas on-line.
  • Portal Gov.br: orientações completas sobre como acessar, navegar e utilizar o portal, incluindo a autenticação de dois fatores, o reconhecimento facial e a recuperação de acesso.
  • Segurança em dispositivos móveis: práticas essenciais de segurança, como a configuração de senhas fortes e a cautela com as permissões de aplicativos.
  • Assinatura digital: demonstração prática do processo de assinatura de documentos digitais via Gov.br.

3.3 Resultados e dificuldades encontradas

A aula teve forte ênfase na prática imediata, com os professores realizando os procedimentos de acesso ao Gov.br em seus próprios dispositivos simultaneamente à instrução. Vários professores conseguiram configurar o acesso e assinar documentos digitalmente com sucesso.

Dificuldade persistente: a principal dificuldade foi recuperar o acesso às contas e gerenciar a autenticação de dois fatores, inviabilizada pela ausência de sinal telefônico na aldeia. Os professores com problemas de acesso tiveram de concluir o processo de recuperação nos dias seguintes, com o apoio do professor.

Aula 4: Videoconferência (Google Meet) e organização de periféricos

Data: 11 de novembro de 2025 · Duração: 4 horas

Objetivos da aula

  • Capacitar os professores no uso do Google Meet para agendar, participar, conduzir e gravar videoconferências educacionais.
  • Ensinar a configuração e a organização corretas dos periféricos de áudio e vídeo (microfone, alto-falantes, webcam, monitores e TV).
  • Apresentar e praticar a função de espelhamento e compartilhamento de tela em reuniões on-line.

Principais resultados

  • Maior domínio do Google Meet: os professores demonstraram grande interesse e sucesso no uso da ferramenta, conseguindo agendar, entrar e conduzir reuniões simuladas de forma autônoma.
  • Integração de hardware: a prática de conectar e configurar os periféricos (TV/monitor, áudio e webcam) foi bem-sucedida.
  • Superação da barreira inicial: o progresso do grupo foi notável, partindo de dificuldades básicas de login na Aula 1 até a condução de videoconferências com múltiplos periféricos.

Aula 5: Formação de grupos para o desenvolvimento de projetos

Data: 8 de novembro de 2025 · Duração: 3 horas

A aula foi dedicada à discussão e à organização dos grupos de trabalho e ao levantamento das primeiras ideias para os projetos a serem desenvolvidos durante o curso. O foco principal foi o uso da tecnologia como meio para a preservação cultural, o registro digital da língua e dos costumes, a produção de conteúdo autêntico pela comunidade e o fortalecimento da autonomia tecnológica dos participantes.

Propostas de projetos discutidas: dicionário digital da língua puyanawa; digitalização do festival cultural; sistema de inscrição on-line e controle de visitantes; plataforma digital para a comercialização de artesanato e produtos culturais.

Fotos — Aulas presenciais de inclusão digital

  • O professor Jonas Anjos e três educadoras com notebooks em uma mesa da sala de aula
  • Sala de aula com educadores trabalhando nos computadores enquanto o professor explica de pé
  • Educadores com seus notebooks nas mesas da sala durante a formação
  • Foto de grupo das educadoras e dos educadores participantes com o professor na sala de aula
  • Educadoras trabalhando com notebooks na biblioteca da escola
  • Educadores indígenas atentos à tela de um notebook durante a aula

Fase 1 · Educação ambiental

Módulo 2: Oficinas de sustentabilidade

Professora Queralt Solsona RosellGraduada em Ciências Ambientais, mestre em Economia Circular e Desenvolvimento Sustentável

Oficina 1 — O lixo

Data: 16 de outubro de 2025 · 200 alunos da Educação Infantil e dos Ensinos Fundamental e Médio

As atividades educativas foram organizadas nos períodos da manhã e da tarde, adaptadas às diferentes faixas etárias. Pela manhã, com alunos de 7 a 11 anos, o trabalho teve como foco os resíduos a partir da realidade local e da própria comunidade. Por meio de uma apresentação audiovisual interativa e de uma atividade artística em grupo, as crianças refletiram sobre os impactos do lixo, os tipos de resíduos e as boas práticas. Em cartolinas, representaram o rio da comunidade em dois cenários — poluído e limpo —, identificando resíduos como plásticos e pilhas, bem como as consequências ambientais e sociais. A atividade estimulou a criatividade, o trabalho em equipe e a expressão oral, culminando em apresentações para toda a escola, que também incorporaram elementos culturais, como sons da natureza e danças tradicionais puyanawa.

À tarde, as atividades foram direcionadas a alunos de 11 a 17 anos, com uma abordagem mais ampla e global, relacionando as ações individuais aos impactos ambientais em escala mundial. Foram apresentados exemplos reais de diferentes partes do mundo: Gana, Bangladesh, os oceanos e a própria Amazônia. Os alunos pesquisaram e fizeram apresentações sobre diferentes tipos de resíduos, analisando os impactos ambientais, sociais e na saúde, além de possíveis soluções baseadas nos 3 Rs: reduzir, reutilizar e reciclar.

Meninos e meninas puyanawa, de uniforme escolar, desenham em cartolinas no chão durante a oficina
Oficina de sustentabilidade na escola.

Oficina 2 — Mudanças climáticas

Data: 22 de outubro de 2025 · 70 alunos dos Ensinos Fundamental e Médio (11 a 17 anos)

Comunidades indígenas como os Puyanawa são especialmente vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, tanto por sua localização geográfica quanto pela dependência dos recursos naturais. Além disso, neste ano o Brasil sediará a COP30, onde a maioria dos povos indígenas se organiza para reivindicar seus direitos e seu papel fundamental na luta contra a crise climática.

A atividade educativa propôs uma abordagem introdutória e crítica sobre as mudanças climáticas e seus impactos, com apoio de apresentações em PowerPoint e materiais participativos. Os alunos conheceram conceitos como aquecimento global, efeitos climáticos, áreas mais vulneráveis, causas humanas da crise climática e justiça climática, com exemplos práticos e a valorização das boas práticas dos povos indígenas, como os Puyanawa.

Abordagem por ano (Ensino Fundamental):

  • 6º ano: hidrelétricas
  • 7º ano: mineração e garimpo
  • 8º ano: pecuária e monocultivos
  • 9º ano: queimadas ilegais e mercados de carbono

No Ensino Médio, o foco esteve na relação entre biodiversidade, terra, cultura e cidadania e a preservação do ecossistema amazônico e a justiça climática, destacando temas como a demarcação de terras indígenas e a valorização de modos de vida sustentáveis. O projeto culminou com uma apresentação final dos resultados para toda a comunidade escolar.

Fotos — Oficinas de sustentabilidade

  • Duas alunas apresentam um cartaz com o rio desenhado durante a oficina
  • A professora Queralt explica ao microfone, ao lado de uma tela, diante dos alunos
  • Alunos e educadores sentados sob a cobertura de madeira acompanhando a oficina

Professora Queralt, da Espanha (voluntária da ONG Guardians de l’Amazònia), cientista ambiental, mestra em Economia Circular e Desenvolvimento Sustentável. Ministra aulas para educadores e alunos do Ensino Médio.

Exemplos das apresentações das oficinas

Alguns slides das apresentações “Mudanças climáticas” e “O lixo”, preparadas para as oficinas com os alunos.

  • Slide “O que são mudanças climáticas?”
    O que são mudanças climáticas?
  • Slide «O que é o efeito estufa»
    O efeito estufa
  • Slide “O que é justiça climática?”
    Justiça climática
  • Slide que compara as emissões de uma viagem de avião e de barco e ônibus entre Barcelona e Cruzeiro do Sul
    Avião ou barco: pegada de carbono
  • Slide sobre a comunidade Puyanawa: floresta, biodiversidade, cultura e cidadania
    Comunidade Puyanawa e floresta
  • Slide “Os efeitos do lixo”
    Os efeitos do lixo
  • Slide sobre o tempo de decomposição de um celular, um copo plástico e uma peça de roupa sintética
    Tempo de decomposição
  • Slide “Deserto de roupas em Gana”
    Deserto de roupas em Gana
  • Slide sobre os 3 Rs: reduzir, reutilizar e reciclar
    Reduzir, reutilizar, reciclar
Ilustração “Projeto Rede Escolas” com uma aldeia na floresta e o logotipo da Guardians de l’Amazònia

Fase 1 · A distância

Módulo 3: Letramento digital

Aulas ministradas via Google Meet.

Professora Ivini FerrazMestra em Ciências

Aula 1: Introdução ao letramento digital

Data: 19 de outubro de 2025 · Local: Google Meet

A aula marcou o início do projeto piloto de letramento digital na Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia. A professora Ivini Ferraz, com formação em educomunicação e atuação no Ministério do Meio Ambiente e na UNESCO, apresentou a distinção crucial entre inclusão digital (acesso e infraestrutura, um direito fundamental no Brasil desde 2021) e letramento digital (uso crítico e compreensão da tecnologia). O contexto da aula situou o ambiente digital como uma nova “ecologia”, que reformula a própria concepção de meio ambiente. O tema central foi a hiperconectividade na Amazônia e o dilema entre os benefícios e os riscos da digitalização.

Aula 2: Ecologia das mídias

Data: 25 de outubro de 2025 · Local: Google Meet

O tema central abordado pela professora Ivini Ferraz foi o letramento digital e a ecologia das mídias, com foco em como as funcionalidades dos aplicativos do Google (Gmail, Drive, Docs, Agenda, Fotos, Sites e YouTube) podem ser aplicadas no contexto educacional. Foram discutidas as distinções entre ecologia das mídias e ecossistemas digitais, o software livre e a questão da coleta de dados e da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), explicando que, em plataformas “gratuitas” como Google e ChatGPT, os dados dos usuários se tornam mercadoria, o que caracteriza o trabalho digital não remunerado.

Captura de tela de uma aula pelo Google Meet: slide “Surgimento da inteligência artificial” e a professora Ivini Ferraz em vídeo
Aula a distância pelo Google Meet.

Aula 3: Tecnodiversidade

Data: 30 de outubro de 2025 · Local: Google Meet

O conteúdo abrangeu uma base teórica e prática, começando pela etimologia da palavra “tecnologia” e sua história. Essa discussão serviu de ponte para contextualizar a inteligência artificial por meio do Teste de Turing (1950). O curso avançou para uma crítica decolonial da técnica com o conceito de “cosmotécnica” de Yuk Hui, questionando a universalidade da técnica ocidental e defendendo uma “decolonização da técnica” e a “epistemologia do Sul Global”. Foi citado o livro Futuro ancestral, de Ailton Krenak. Também foi feito um alerta sobre o “design persuasivo” das telas e o “capitalismo de plataforma”. A Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa compartilhou sua experiência, reconhecendo que as novas tecnologias são cruciais para a documentação administrativa e a preservação cultural, especialmente para o arquivo das tradições ancestrais.

Aula 4: Inteligência artificial e estrutura de prompts

Data: 6 de novembro de 2025 · Local: Google Meet

A aula se concentrou na inteligência artificial (IA) e em seu uso em sala de aula. O tema central foi a estrutura de prompts eficazes, detalhando os cinco elementos essenciais: contexto, tarefa, formato, tom e público. A aula também abordou o uso da IA na criação de projetos, como a organização de chats por tema e a anexação de documentos específicos para embasar as respostas.

Aula 5: Ferramentas para a criação de projetos educacionais

Data: 13 de novembro de 2025 · Local: Google Meet

Foram revisados os três temas dos projetos finais e apresentadas diversas ferramentas: Google Forms (enquetes e análise de dados), Google Slides (alternativa ao PowerPoint), Gamma App (IA generativa para apresentações), Google Sites (criação de sites responsivos), Wix (alternativa mais robusta) e o uso da IA para sintetizar as respostas de formulários.

Aula 6: Elaboração de projetos com IA

Data: 19 de novembro de 2025 · Local: Google Meet

A aula teve como foco a elaboração de projetos com inteligência artificial. Ivini Ferraz demonstrou o uso prático de ferramentas de IA generativa, como ChatGPT, Gemini e Claude, para a escrita de projetos. Um ponto central foi o debate sobre o uso da IA em trabalhos acadêmicos: o maior risco não é o plágio, mas a IA “alucinar” e fornecer referências incorretas. A recomendação foi sempre usar prompts avançados e submeter o texto gerado à revisão humana.

Aula 7: Canva para educadores (parte 1)

Professora Karla PriscilaMestra em Tecnologias Educacionais

Data: 27 de novembro de 2025 · Local: Google Meet

Esta aula foi ministrada pela convidada Karla Priscila, gestora de tecnologias educacionais e embaixadora do Canva.com no Brasil. O foco foi a obtenção da conta “Canva para Educação”, gratuita e permanente para professores, com acesso a todos os recursos Pro e ferramentas de IA. Foram demonstradas a exploração e a personalização de modelos prontos, a ferramenta “Maker Activities” para caça-palavras e palavras-cruzadas personalizados e funcionalidades de IA como “Borracha Mágica”, “Captura Mágica” e “Edição Mágica”.

Captura de tela da aula de Canva: uma atividade escolar em edição e a professora Karla Priscila em vídeo

Materiais elaborados no Canva pelos professores

Exemplos da “Cartilha de Ervas Medicinais Puyanawa” e do livro “Os guardiões da floresta”, elaborados por professores da escola.

  • Capa da “Cartilha de Ervas Medicinais Puyanawa”
    Cartilha de ervas medicinais: capa
  • Página da cartilha dedicada ao boldo, com texto e ilustração
    Boldo
  • Página da cartilha dedicada ao pau-d’arco roxo, com texto e ilustração
    Pau-d’arco roxo
  • Capa do livro “Os guardiões da floresta” com um tucano e animais da floresta
    “Os guardiões da floresta”: capa
  • Página do livro sobre o macaco, com texto e fotografia
    O macaco
  • Página do livro sobre a onça-pintada, com texto e fotografia
    A onça-pintada

Aula 8: Canva para educadores (parte 2)

Professora Ivini Ferraz · Data: 10 de dezembro de 2025 · Local: Google Meet

A aula ministrada por Ivini Ferraz propôs uma abordagem integral do Canva para a produção de materiais didáticos. Foram detalhados recursos avançados, como a organização de designs em pastas, a funcionalidade Kit de Marca e o armazenamento ilimitado. Foram enfatizados conceitos fundamentais de design, como as camadas, e foi apresentado o recurso Mockups para visualizar designs em modelos de objetos.

Capa do material “Módulo 2: Letramento digital para educadores”, elaborado pelo Instituto Conectividade Consciente
Material de letramento digital para educadores.

Aula 9: Palestra do MMA — Departamento de Patrimônio Genético

Data: 11 de dezembro de 2025 · Local: Google Meet

A palestra ministrada por Rodrigo de Albergaria, analista do Ministério do Meio Ambiente, tratou do marco legal e dos mecanismos de proteção do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (CTA) no Brasil. Foram apresentados o mecanismo de Consentimento Prévio Informado (CPI), a repartição de benefícios (1% para o Patrimônio Genético, 0,5% para o CTA) e o papel do CGen (Conselho de Gestão do Patrimônio Genético). Foram destacadas a oportunidade de participar do Prêmio 2025 Guardiões da Sociobiodiversidade (R$ 50.000) e a possibilidade de um curso on-line sobre a lei voltado especificamente para escolas indígenas.

Fotos — Letramento digital na educação a distância (EaD)

  • Educadores com notebooks na sala acompanhando uma aula a distância
  • Grupo de educadoras trabalhando ao redor de uma mesa durante uma aula on-line
  • Tela da sala de aula com um professor conectado por videoconferência
  • Educadores reunidos na sala diante da tela da videoconferência

Avaliação de habilidades digitais

1. Metodologia do diagnóstico

O diagnóstico das capacidades digitais e das condições tecnológicas da escola foi realizado em duas etapas complementares, o que permitiu obter uma visão mais completa e atualizada da situação.

Etapa 1 — Diagnóstico inicial (novembro de 2024)

Realizada pela Fundação Txai em parceria com a ONG Guardians de l’Amazònia durante o 1º Encontro na Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa. Foram utilizados questionários estruturados, entrevistas semiestruturadas e diálogo com professores e lideranças. Participaram cerca de 10 docentes.

Etapa 2 — Questionário de atualização (outubro de 2025)

Foi aplicado um questionário ampliado a 17 educadores, o que permitiu atualizar o diagnóstico inicial, obter dados quantitativos mais precisos e identificar prioridades formativas concretas.

2. Informações demográficas e escolaridade
IndicadorResultado
Mulheres94,1% (16 de 17)
Homens5,9% (1 de 17)
Faixa etária predominanteDe 31 a 42 anos (58,8%)
Ensino superior completo52,9%
Pós-graduação29,4%
Mestrado5,9%
3. Conectividade e equipamentos
IndicadorResultado
Wi-Fi em casa82,4%
Dependem de 4G/5G17,6%
Usam smartphone Android88,2%
Ficam conectados “quase o tempo todo”41,2%
Ficam conectados mais de 4 horas por dia23,5%
4. Uso de ferramentas digitais e IA
IndicadorResultado
Nunca usaram ChatGPT nem Gemini58,8%
Usam IA com frequência11,8%
Usam o Google com frequência (Docs, Sheets etc.)52,9%
Não sabem usar bem o Gov.br52,9%
Usam videoconferência muito raramente58,8%

5. Experiência pedagógica e interesses de aprendizagem

  • 76,5% dos educadores já desenvolveram algum projeto utilizando tecnologia com seus alunos.
  • O Ensino Médio é o nível de atuação de 35,3% dos professores, e o Ensino Fundamental I, de 29,4%.
Maiores interesses de formação
ÁreaEducadores
Escrever projetos58,8%
Edição de vídeo47,1%
Fazer planilhas e contas47,1%
6. Percepção do impacto da internet na comunidade
Benefícios identificadosRiscos identificados
Acesso ao conhecimentoUso excessivo de redes sociais
Comunicação mais rápidaJogos eletrônicos e distração em sala de aula
Apoio ao trabalho pedagógicoAcesso a conteúdos inadequados
Divulgação cultural da comunidadeDiminuição da interação presencial
Desenvolvimento de projetos educativos

Considerações finais

Competências aprimoradas após a formação

  • Utilização de ferramentas de videoconferência
  • Elaboração de material didático com o Canva
  • Acesso a serviços de manutenção de dispositivos
  • Aplicação consciente e acadêmica da inteligência artificial generativa
  • Utilização do pacote de aplicativos do Google (Agenda, Documentos, Apresentações, Planilhas)
  • Proteção e privacidade de dados
  • Assinatura digital
  • Manutenção de equipamentos, backup e proteção de arquivos

Três principais conclusões da análise

  1. Infraestrutura digital limitada para uso pedagógico

    A maioria dos professores tinha notebooks doados pelo governo do estado, mas sem a capacitação adequada para seu funcionamento correto, atualização, manutenção e proteção antivírus. São necessários monitores de 60 polegadas, microfones e webcams para o EaD em grupo.

  2. Problemas na qualidade da energia elétrica da aldeia

    A instalação elétrica da aldeia é bastante precária. Foi necessário custear consertos, um nobreak e o reforço do quadro de energia da escola para ligar o ar-condicionado e dar mais estabilidade aos equipamentos, principalmente nos períodos de chuva.

  3. Forte interesse e motivação dos professores

    Os depoimentos dos professores indígenas reforçam o interesse e a relevância do projeto Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia, incluindo o uso ético da IA na educação indígena, nos seguintes eixos: fortalecer as competências digitais dos professores; ampliar o uso pedagógico das tecnologias; apoiar a produção de conteúdos educativos; e integrar tecnologia, educação e valorização da cultura indígena.

A implementação dessas ações representa uma oportunidade concreta para fortalecer a educação, ampliar o acesso ao conhecimento e valorizar o patrimônio cultural e genético do povo Puyanawa. Acreditamos também que a educação digital do corpo docente favorece principalmente a formação dos alunos do Ensino Médio, o que pode ampliar o acesso de estudantes indígenas às universidades federais.

Resultados alcançados — Projeto piloto

  • Conexão via satélite.
  • Aquisição de novos equipamentos: uma tela de grande formato e um computador para as formações on-line, as videoconferências educacionais e a visualização coletiva de materiais.
  • Manutenção da parte elétrica da escola.
  • Climatização da sala da biblioteca.
  • Oficinas de educação ambiental e sustentabilidade com os alunos da escola.
  • Videoconferências interculturais entre os alunos da Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa e escolas da Catalunha, como a Escola El Palau, de Molins de Rei.
  • Participação no prêmio Guardiões da Sociobiodiversidade do Ministério do Meio Ambiente.
  • Ampliação das possibilidades de elaboração e captação de recursos para projetos liderados por educadores indígenas.
  • Possibilidade de trabalho colaborativo (em nuvem) entre educadores indígenas e parceiros globais.
  • Parceria com o DPG (Departamento de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente, MMA).
  • 70% dos educadores indígenas contam com inclusão digital básica e acesso a serviços digitais essenciais, como o portal gov.br.

Fase 2: projetos apresentados

A Fase 2, prevista para 2026, inclui mentorias em grupo para 3 novos projetos coletivos, liderados por professores indígenas. Assista às apresentações dos grupos:

  • Grupo 1 Digitalização e revisão da gramática puyanawa para a publicação do novo dicionário de bolso em 2027. Ver no YouTube (abre em uma nova janela) Ao clicar, o player do YouTube será carregado e pode armazenar dados no seu navegador.
  • Grupo 2 Criação de um aplicativo para uma biblioteca de materiais indígenas. Ver no YouTube (abre em uma nova janela) Ao clicar, o player do YouTube será carregado e pode armazenar dados no seu navegador.
  • Grupo 3 Criação de um catálogo digital (web) do artesanato puyanawa. Ver no YouTube (abre em uma nova janela) Ao clicar, o player do YouTube será carregado e pode armazenar dados no seu navegador.

Os vídeos são reproduzidos nesta mesma página, em português.

Créditos e contato

Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia
Escola Ixubãy Rabuī Puyanawa — Acre, Brasil
Relatório de atividades 2025 — Fase 1
ONG Guardians de l’Amazònia · Fons Català · Molins de Rei · Begues

Associació Guardians de l’Amazònia (Barcelona)
Carrer Garrigues, 11 – 08859 Begues (Barcelona)
Espanha
NIF: G66796475
Nº de inscrição: 58971 · Res. 01/07/2016

Pessoas da comunidade Puyanawa dançando em círculo, de mãos dadas

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