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Olhar a Amazônia por dentro

Verificamos um a um onde cada documentário pode ser visto legalmente. Os que por enquanto não podem ser vistos a partir da Espanha levam um aviso. Muitos foram feitos, filmados ou narrados pelos próprios povos indígenas, e cada um explica bem uma parte do que trabalhamos com as escolas: o Acre onde nasceu a Rede, a defesa do território, a mineração ilegal, a escola indígena e outras maneiras de entender a natureza.

Não hospedamos nenhum destes filmes. Os direitos são de seus autores e produtoras: daqui apenas linkamos para as plataformas oficiais. A disponibilidade muda conforme o país e o momento; se um link deixar de funcionar, procure o título na sua plataforma ou escreva para nós e corrigimos. As imagens das fichas são as miniaturas que cada produtora publica em seu canal oficial no YouTube. A de «A Floresta de Esmeraldas», de 1985, é uma foto nossa do rio Môa.

Filmes de ficção

Ficção sobre a Amazônia e seus povos. Tem animação para o fundamental I, seiscentos anos de história do Brasil em setenta e cinco minutos e um filme feito com o povo Krahô, que o protagoniza. Cada ficha diz onde assistir e a partir de que idade usamos.

Palestras e vozes

Além de filmes, aqui estão palestras e vídeos de pensadores e povos indígenas falando por si mesmos, que usamos para preparar as oficinas e que servem tanto numa reunião de professores quanto no ensino médio.

Agrofloresta e cuidado da terra

Vídeos e palestras sobre agrofloresta, sementes e agricultura regenerativa, com vozes indígenas do Acre e da Amazônia e experiências do Brasil e da Catalunha. Complementam a seção Terra viva.

E o nosso, ainda em andamento

Junto ao povo Puyanawa gravamos «A terra sagrada Peyabakebu Puyanawa», um documentário sobre a memória e a recuperação cultural da comunidade. Está em pausa por falta de recursos: existem os dois teasers e o material filmado na aldeia.

Ver os teasers em Outros projetos

Sentiu falta de algum? Usou algum em aula e quer contar como foi? Escreva para nós e o acrescentamos à lista.

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Animação e história do Brasil

Uma História de Amor e Fúria

Luiz Bolognesi · Brasil · 2013 · 75 min · português

O mesmo casal se reencontra em quatro épocas e em cada uma o país muda de mãos: os tupinambás defendendo a costa no século XVI, os rebeldes da Balaiada no Maranhão, a resistência contra a ditadura militar e uma favela do Rio em 2096, onde a água se compra.

Por que recomendamos

Coloca seiscentos anos seguidos diante dos alunos, e nessa linha a história do Brasil começa com os povos indígenas defendendo sua terra. É dirigido por Luiz Bolognesi, de quem também recomendamos «Ex-Pajé» e «A Última Floresta».

Para a sala de aula

A partir de 14 anos. Há cenas de violência. Em português. Ganhou o Cristal de Annecy de melhor longa-metragem e foi a primeira animação brasileira selecionada nesse festival.

Onde assistir

Cinema feito com o povo Krahô

A Flor do Buriti

João Salaviza e Renée Nader Messora · Brasil e Portugal · 2023 · 123 min · krahô e português

Patpro, uma menina krahô, ouve do pai o que aconteceu em 1940. Os diretores viveram anos na aldeia; os moradores de Pedra Branca são roteiristas e atores da própria história, e o filme foi rodado em seu território, no Tocantins.

Por que recomendamos

É o mais perto que vimos do que buscamos na Rede: um povo contando sua história com as próprias palavras e decidindo o que se ensina. Além disso aparece o trabalho dos guardiões do território, o mesmo que Puwê e os Puyanawa fazem no Acre.

Para a sala de aula

A partir de 14 anos. Em língua krahô e português. Recebeu o prêmio do conjunto de intérpretes em Un Certain Regard (Cannes, 2023).

Onde assistir

A borracha e a memória

O abraço da serpente (El abrazo de la serpiente)

Ciro Guerra · Colômbia, Venezuela e Argentina · 2015 · 125 min · línguas amazônicas, espanhol e alemão

O filme parte dos diários de dois viajantes reais, o etnógrafo Theodor Koch-Grünberg e o botânico Richard Evans Schultes, e os olha do outro lado: do xamã que os guia. No caminho aparecem os seringais e as missões.

Por que recomendamos

É a outra face de «Segredos do Putumayo»: o que a febre da borracha fez com os povos do noroeste amazônico, contado de dentro. E mostra algo que trabalhamos nas oficinas: quando se perde uma língua, perde-se também o que aquela língua sabia.

Para a sala de aula

A partir de 16 anos. Há cenas duras. Foi o primeiro filme colombiano indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Onde assistir

Animação para o fundamental I

Ainbo, a guerreira da Amazônia

Richard Claus e José Zelada · Peru e Países Baixos · 2021 · 84 min · espanhol

Animação de aventura ambientada na Amazônia peruana. O território, os animais e os espíritos guia são o centro da história, e a ameaça é concreta: o garimpo de ouro e o desmatamento.

Por que recomendamos

É o filme desta lista que funciona no fundamental I. Conta o garimpo ilegal e o desmatamento com uma linguagem que se entende aos oito anos e serve para abrir o tema antes de uma oficina.

Para a sala de aula

A partir de 6 anos. Dublado em espanhol. Dura 84 minutos, então em aula convém dividir em duas sessões.

Onde assistir

O Parque Indígena do Xingu

Xingu

Cao Hamburger · Brasil · 2011 · 102 min · português

⚠️ Indisponível na Espanha por enquanto

Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas entram na expedição como peões e acabam passando a vida com os povos do Alto Xingu. O filme conta também o que chegou com eles: as epidemias e a dependência.

Por que recomendamos

O Parque do Xingu, criado em 1961, é o antecedente das demarcações explicadas em «Mapear Mundos» e do debate sobre o Marco Temporal. Vale ver os dois: este conta a história a partir dos irmãos, e «Mapear Mundos» a partir dos povos.

Para a sala de aula

A partir de 14 anos. Em português.

Onde assistir

A barragem e a floresta

A Floresta de Esmeraldas (The Emerald Forest)

John Boorman · Reino Unido e Espanha · 1985 · 110 min · inglês

Bill Markham dirige as obras da barragem. Seu filho Tommy desaparece na beira da mata e cresce com os «Homens Invisíveis», um povo inventado para o filme a partir de vários do Xingu. Dez anos depois pai e filho se reencontram, com a obra adiantada e a floresta caindo em volta.

Por que recomendamos

Coloca diante dos olhos a obra e suas consequências: a estrada, a barragem, a água que sobe e a gente que vivia ali. E deixa ver de onde olhava o cinema daqueles anos: o protagonista é o filho do engenheiro, os dois papéis indígenas principais são feitos por atores que não são indígenas e o povo do filme é inventado. Na filmagem participou gente dos povos da região.

Para a sala de aula

A partir de 14 anos. Há nudez e cenas de violência. Teve três indicações ao BAFTA. Vale ver junto com «A Flor do Buriti»: a mesma floresta contada de fora e de dentro.

Onde assistir

Cultura e educação

O Brasil antes de 1500

Canal Nostalgia, Maria Farinha Filmes e Instituto Alana · Brasil · 2025 · 60 min · português

O arqueólogo Eduardo Neves, da Universidade de São Paulo, percorre o que a arqueologia encontrou nos últimos anos: a terra preta feita pelas pessoas, os caminhos retos de quilômetros, os montículos, as florestas plantadas. Dez milhões de pessoas viviam neste território antes de 1500.

Por que recomendamos

Diz o mesmo que dizemos em Povos: a floresta é uma paisagem cuidada por gente, não um vazio onde alguém chegou. Aqui quem diz é a arqueologia, com as provas na mesa.

Para a sala de aula

A partir dos 12 anos. Está em português. Tem guia didático gratuito para o fundamental e o médio, feito pelo Instituto Alana.

Onde assistir

Acre e seringueiros

O Acre de Txai Macedo

Bruno Carneiro · Brasil · 2001 · 27 min · português

Txai Macedo conta o Acre por dentro: o ciclo da borracha, Xapuri e Chico Mendes, a primeira reserva extrativista do mundo e os povos indígenas do vale do Juruá.

Por que recomendamos

É o filme mais próximo do que fazemos. Txai Macedo foi sócio honorário da associação e amigo e mentor de Adolf Sanz até sua passagem, em 2026. Em 27 minutos entende-se de onde vem o Acre onde trabalhamos.

Para a sala de aula

A partir de 14 anos. Em português, sem legendas: convém que os professores preparem ou comentem.

Onde assistir

Acre e seringueiros

Chico Mendes: Cartas da Floresta

Dulce Queiroz · TV Câmara (Brasil) · 2009 · 44 min · português

A partir de suas cartas e de depoimentos gravados vinte anos depois de seu assassinato, reconstrói como um seringueiro de Xapuri se tornou o líder que uniu a defesa da floresta à de quem vive nela.

Por que recomendamos

Chico Mendes é o ponto de partida de tudo o que veio depois no Acre: as reservas extrativistas, a «aliança dos povos da floresta» e a ideia de que cuidar da floresta e defender direitos são a mesma coisa.

Para a sala de aula

A partir de 14 anos. Produção pública e gratuita, pode ser usada inteira ou em trechos.

Onde assistir

Acre e seringueiros

Chico para a Juventude

Ivini Ferraz · Brasil · 2006 · 52 min · português

Documentário pensado para o público jovem sobre Chico Mendes e a luta dos seringueiros do Acre, com o depoimento de quem caminhou com ele.

Por que recomendamos

Entre os que falam está Txai Macedo, sócio honorário da nossa associação, ao lado de Marina Silva, Gumercindo Rodrigues e Toninho Alves. É um dos poucos filmes sobre Chico Mendes feito expressamente para os jovens, e isso se nota no ritmo e no tom.

Para a sala de aula

A partir dos 14 anos (ensino fundamental II e médio). Em português sem legendas: vale preparar antes ou comentar por partes.

Onde assistir

Mineração e clima

A Queda do Céu

Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha · Brasil, Itália e França · 2024 · 108 min · yanomami e português

Filmado na comunidade de Watorikɨ durante o reahu, o grande ritual funerário yanomami. Parte do livro e do depoimento do xamã Davi Kopenawa e do antropólogo Bruce Albert.

Por que recomendamos

É a melhor porta de entrada para o pensamento de Davi Kopenawa: sua crítica ao «povo da mercadoria», ao garimpo ilegal e às epidemias que chegam com ele. Ajuda a entender que há outras formas de estar no mundo, e não crenças pitorescas.

Para a sala de aula

A partir de 16 anos. É um documentário contemplativo e longo; funciona melhor no ensino médio ou com um cine-debate.

Onde assistir

⚠️ Indisponível na Espanha por enquanto

O link da Netflix deixou de funcionar e por enquanto não está em nenhuma plataforma na Espanha.

Mineração e clima

A Última Floresta

Luiz Bolognesi · Brasil · 2021 · 74 min · yanomami e português

Roteiro escrito junto com Davi Kopenawa. Mistura documentário e cenas recriadas pela própria comunidade para contar como a chegada dos garimpeiros traz doença e morte a uma aldeia yanomami.

Por que recomendamos

Explica de forma muito visual o que é o garimpo e por que a mineração ilegal é hoje a maior ameaça aos povos do norte da Amazônia. Ganhou o prêmio do público na Berlinale.

Para a sala de aula

A partir de 14 anos. Há cenas duras, mas nada explícito.

Onde assistir

⚠️ Indisponível na Espanha por enquanto

Está na Netflix do Brasil, México, Argentina e Estados Unidos, mas não na da Espanha.

Território e direitos

The Territory (A luta pelo território)

Alex Pritz · Brasil, Dinamarca e Estados Unidos · 2022 · 85 min · português e inglês

Um jovem líder uru-eu-wau-wau organiza a vigilância de seu território em Rondônia diante de invasores e madeireiros. Boa parte das imagens foi gravada pela própria comunidade.

Por que recomendamos

Mostra algo que raramente se vê: como se defende um território na prática, com câmeras, drones, mapas e patrulhas. E apresenta sem truques o ponto de vista dos colonos.

Para a sala de aula

A partir de 14 anos. Produção da National Geographic. Na Espanha pode ser visto no Disney+. Na Espanha tem o título «Amazonas: territorio límite».

Onde assistir

Território e direitos

Piripkura

Mariana Oliva, Bruno Jorge e Renata Terra · Brasil · 2017 · 82 min · português

Dois homens do povo piripkura sobrevivem sozinhos, em movimento permanente, dentro de um território cercado por fazendas e madeireiros. Um indigenista da Funai os procura todo ano para provar que continuam vivos e manter a proteção do território.

Por que recomendamos

É o retrato mais claro do que significa «povo em isolamento voluntário» e de como uma decisão administrativa pode decidir a sobrevivência de um povo inteiro.

Para a sala de aula

A partir de 14 anos.

Onde assistir

⚠️ Indisponível na Espanha por enquanto

Disponível apenas no Prime Video do Brasil.

Território e direitos

Martírio

Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tatiana Almeida · Brasil · 2016 · 162 min · guarani e português

Quarenta anos de filmagens sobre a luta do povo guarani kaiowá para recuperar suas terras em Mato Grosso do Sul, e sobre a violência com que lhe respondem.

Por que recomendamos

É o documentário que melhor explica o conflito de fundo por trás do Marco Temporal: quem ocupou o quê, quando e com quais papéis. Duro, longo e necessário.

Para a sala de aula

Só ensino médio ou formação de adultos: contém imagens de violência real. No Vimeo pode ser alugado por uma semana ou comprado.

Onde assistir

Cultura e educação

Ex-Pajé

Luiz Bolognesi · Brasil · 2018 · 81 min · paiter suruí e português

Perpera, o último pajé do povo paiter suruí, deixou de sê-lo quando os missionários evangélicos declararam demoníaca sua religião. O documentário o acompanha enquanto decide se volta a curar.

Por que recomendamos

Fala de algo de que pouco se fala: a conversão religiosa como forma de etnocídio. E faz isso sem caricaturar ninguém. Menção especial do júri na Berlinale.

Para a sala de aula

A partir de 16 anos. Muito útil para trabalhar diversidade religiosa e respeito a outras formas de entender o mundo.

Onde assistir

⚠️ Indisponível na Espanha por enquanto

Disponível apenas na Apple TV do Brasil.

Cultura e educação

El sendero de la anaconda (O caminho da anaconda)

Alessandro Angulo · Colômbia · 2019 · 73 min · espanhol

O escritor Wade Davis e o antropólogo Martín von Hildebrand percorrem os rios da Amazônia colombiana meio século depois de se conhecerem, seguindo as rotas do botânico Richard Evans Schultes.

Por que recomendamos

É em espanhol e o mais sereno da lista. Explica muito bem o conhecimento das plantas, a ideia do corredor ecológico andino-amazônico e por que os territórios indígenas reconhecidos se conservam melhor.

Para a sala de aula

A partir de 14 anos. Está em espanhol, língua próxima do português.

Onde assistir

⚠️ Indisponível na Espanha por enquanto

Está na Netflix do Brasil, México, Argentina e Estados Unidos, mas não na da Espanha.

Cultura e educação

Uýra: A Retomada da Floresta

Juliana Curi · Brasil e Estados Unidos · 2022 · 63 min · português

Uýra, artista de origem indígena e bióloga, percorre as periferias de Manaus dando oficinas a jovens indígenas sobre a floresta, a identidade e o direito de existir.

Por que recomendamos

É o único da lista que mostra educação ambiental indígena em ação, com adolescentes e em uma grande cidade amazônica. Aborda também a discriminação sofrida por pessoas indígenas e LGBTQIA+ no Brasil.

Para a sala de aula

A partir de 16 anos; convém assistir antes para ver se combina com o projeto da escola.

Onde assistir

⚠️ Indisponível na Espanha por enquanto

Disponível apenas no Prime Video do Brasil.

Território e direitos

Yanuni

Richard Ladkani · Áustria, Brasil, EUA, Canadá e Alemanha · 2025 · 112 min · português e inglês

Retrato de Juma Xipaia, da Terra Indígena Xipaya, de sua aldeia até a política nacional: foi a primeira secretária de Articulação e Promoção dos Direitos Indígenas do Brasil e sobreviveu a vários atentados. O filme acompanha ao mesmo tempo sua vida pública e sua vida com o marido, Hugo Loss, agente de fiscalização ambiental.

Por que recomendamos

É o documentário mais recente da lista e o que melhor mostra o garimpo ilegal e a ameaça direta a quem defende a floresta. É produzido por Leonardo DiCaprio junto com a própria Juma Xipaia, e foi pré-selecionado para o Oscar de melhor documentário.

Para a sala de aula

A partir de 16 anos. Fala de ameaças de morte e de violência, então convém assistir antes e preparar o debate.

Onde assistir

O filme completo está gratuito no YouTube, no canal de Leonardo DiCaprio. O YouTube pede login para confirmar a idade, então em sala de aula é preciso abrir com uma conta de adulto.

Acre e seringueiros

Chico Mendes: Voice of the Amazon (A voz da Amazônia)

Miranda Smith · Estados Unidos · 1989 · 56 min · inglês, com legendas em espanhol

Filmado poucas semanas antes do seu assassinato, em 1988: Chico Mendes conta com a própria voz a luta dos seringueiros do Acre pela floresta.

Por que recomendamos

Permite ouvir Chico Mendes em primeira pessoa e entender por que os seringueiros defendiam a floresta em pé. Complementa bem os outros filmes sobre ele.

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 12 anos. Gratuito, em inglês com legendas em espanhol gravadas na imagem.

Onde assistir

Acre e seringueiros

A gente luta mas come fruta

Wewito Piyãko e Isaac Pinhanta · Brasil · 2006 · 40 min · asháninka e português

Dois cineastas asháninka contam como sua comunidade, Apiwtxa, no Acre, recupera a floresta e os rios e expulsa os madeireiros.

Por que recomendamos

Feito pelos próprios asháninka, no vale do Juruá, o mesmo onde a Rede trabalha. Mostra por dentro como uma comunidade cuida do seu território e o recupera.

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 10 anos. Legendas em português. Pago no Vimeo: pode ser alugado ou comprado por poucos euros.

Onde assistir

Território e direitos

Mapear Mundos

Mariana Lacerda · Brasil · 2024 · 71 min · português

Como os povos indígenas do Brasil foram localizados e como se conquistaram o capítulo indígena da Constituição de 1988 e a demarcação das suas terras. Com Ailton Krenak e André Baniwa.

Por que recomendamos

É a melhor base para entender o Marco Temporal: explica de onde vêm os direitos territoriais indígenas no Brasil e quem os conquistou. Publicado pelo Instituto Socioambiental (ISA).

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 14 anos. Gratuito.

Onde assistir

Território e direitos

Guardianes del Amazonas (Guardiões da Amazônia)

Fundação Thomson Reuters para a BBC Mundo · 2019 · 26 min · espanhol

Os Guardiões da Floresta do povo guajajara, no Maranhão, patrulham seu território contra os madeireiros ilegais.

Por que recomendamos

Em meia hora, mostra o que significa defender um território com o próprio corpo, contado por quem faz isso. Muito útil para abrir um debate.

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 12 anos. Gratuito, em espanhol.

Onde assistir

Território e direitos

Corumbiara

Vincent Carelli · Brasil · 2009 · 117 min · português

Vincent Carelli investiga durante vinte anos um massacre de indígenas em Rondônia e procura os sobreviventes.

Por que recomendamos

Do mesmo diretor de Martírio. Mostra como um povo é apagado e como a câmera vira prova quando a justiça não chega.

Para a sala de aula

Só ensino médio ou educação de adultos: trata de um massacre e da sua impunidade. Pago no Vimeo: pode ser alugado ou comprado.

Onde assistir

Território e direitos

Pere Casaldàliga. Les causes i la vida (As causas e a vida)

Francesc Escribano · TV3, Sense ficció · 2014 · 47 min · catalão

O bispo catalão que defendeu camponeses e indígenas no Mato Grosso e viveu ameaçado de morte pelos latifundiários.

Por que recomendamos

Une a Catalunha e o Brasil: explica a luta pela terra na Amazônia por meio de uma figura muito próxima dos alunos catalães.

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 14 anos. Gratuito na 3Cat, em catalão.

Onde assistir

Território e direitos

Segredos do Putumayo

Aurélio Michiles · Brasil · 2020 · 82 min · português

A partir do diário de Roger Casement (1910), reconstrói os crimes da febre da borracha contra os povos indígenas do Putumayo.

Por que recomendamos

Dá o contexto histórico do ciclo da borracha, o mesmo que marcou a história do Acre e dos seringueiros.

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 16 anos, porque descreve violência e escravidão. Aluguel ou compra na Apple TV da Espanha.

Onde assistir

Mineração e clima

La jaula de oro (A gaiola de ouro)

En Portada (RTVE) · 2021 · 39 min · espanhol

O garimpo ilegal de ouro em Madre de Dios, na Amazônia peruana: floresta devastada e máfias que controlam o negócio.

Por que recomendamos

Explica com rigor como funciona o garimpo ilegal, a mesma ameaça que muitos territórios indígenas do Brasil sofrem hoje.

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 14 anos. Gratuito na RTVE Play, em espanhol.

Onde assistir

Cultura e educação

Das crianças Ikpeng para o mundo

Karané Ikpeng, Natuyu Yuwipo Txicão e Kumaré Ikpeng · Brasil · 2001 · 35 min · ikpeng e português

Quatro crianças ikpeng, do Mato Grosso, apresentam sua aldeia numa vídeo-carta: suas famílias, suas brincadeiras e suas festas. E pedem a crianças de outras culturas que respondam.

Por que recomendamos

Feito por crianças para crianças. É perfeito para começar um intercâmbio entre escolas, que é justamente o que a Rede faz.

Para a sala de aula

Para todas as idades, inclusive o ensino fundamental. Legendas em português. Pago no Vimeo: pode ser alugado ou comprado por poucos euros.

Onde assistir

Cultura e educação

Já me transformei em imagem

Zezinho Yube · Brasil · 2008 · 32 min · hunikui e português

Os huni kuin do Acre contam sua história: o primeiro contato, o cativeiro nos seringais e seu trabalho atual com o vídeo.

Por que recomendamos

Dirigido por um cineasta huni kuin, mostra o Acre por dentro e como um povo usa a câmera para recuperar sua memória.

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 12 anos. Legendas em português. Pago no Vimeo: pode ser alugado ou comprado por poucos euros.

Onde assistir

Povo Ashaninka

Povo Ashaninka e a produção florestal

Canal Ashaninka Apiwtxa · Brasil · 2022 · 2 vídeos de 3 min · português

Um ashaninka da aldeia Apiwtxa, no rio Amônia (Acre), conta que, quando criança, precisava pedir fruta aos patrões. Hoje, na antiga fazenda que seu povo recuperou e reflorestou, as árvores frutíferas cercam as casas.

No segundo vídeo, os agentes agroflorestais da aldeia explicam seus sistemas agroflorestais e suas roças: árvores frutíferas, cerca de 23 variedades de banana, mandioca, e a fruta como segurança alimentar quando faltam a carne ou o peixe.

Por que recomendamos

É a voz indígena do Acre, sem intermediários, no mesmo vale do Juruá onde a Rede trabalha. E é a mesma comunidade de «A gente luta mas come fruta», dezesseis anos depois.

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 8 anos, com a ajuda dos professores. Dois vídeos curtos em português, com legendas automáticas: somando os comentários, cerca de 20 minutos.

Onde assistir

Povos Yawanawá e Puyanawa

Projeto Reflorestar Yawanawá

Aliança Reflorestar da Amazônia · Brasil · 2022 · 21 min · português

Na aldeia Nova Esperança, do povo Yawanawá (rio Gregório, Acre), foram plantadas 5.722 árvores frutíferas, pioneiras e de madeira nobre, e foram construídos um viveiro e um banco de sementes. As mudas vieram dos Puyanawa, com Puwê à frente.

O projeto incluiu uma formação em agrofloresta e na técnica de coleta de sementes no alto das árvores. Puwê Puyanawa, agrofloresteiro e professor, fala no vídeo.

Por que recomendamos

É um intercâmbio entre povos para reflorestar, e dele participam os Puyanawa, o povo com o qual trabalhamos desde 2016.

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 12 anos. Vinte e um minutos, em português.

Onde assistir

Povos do rio Negro

Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro

National Geographic Brasil · 2022 · 3 episódios de 10 a 12 min · português

Os povos indígenas do rio Negro explicam seu sistema de roças, reconhecido como patrimônio cultural do Brasil em 2010: a origem da mandioca, as roças em diferentes etapas e o papel das mulheres como «mães da roça».

São três episódios: «Saberes da roça», «Produtos da floresta» e «Ciência indígena e crise climática». No último, o ancião tariana Clarindo Chagas explica que os sinais da natureza que anunciavam as estações já não acertam.

Por que recomendamos

Apresenta a agricultura indígena como um saber científico: um sistema que combina floresta e cultivo, é transmitido de geração em geração e hoje sofre com as mudanças climáticas.

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 12 anos. Cada episódio dura cerca de dez minutos, em português com legendas automáticas. Convém explicar antes a diferença entre as pequenas roças dos povos da floresta, que a floresta recupera, e o desmatamento em grande escala.

Onde assistir

Ernst Götsch

Life in Syntropy (Vida em sintropia)

Agenda Gotsch · Brasil · 2015 · 15 min · português, com legendas em espanhol

Três experiências de agricultura sintrópica: dois agricultores de Brasília, uma grande fazenda de São Paulo e a fazenda de Ernst Götsch na Bahia, onde uma terra esgotada voltou a ser floresta.

Foi produzido para a cúpula do clima de Paris de 2015 (COP21).

Por que recomendamos

É a melhor introdução em vídeo ao que explica a seção Terra viva: plantar como a floresta cresce, em camadas e ao longo do tempo.

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 13 anos. Legendas em espanhol. Alguns números são dados pelos protagonistas sem fonte, e convém ver com espírito crítico o trecho da grande fazenda empresarial.

Onde assistir

Ernst Götsch

Los agricultores que convirtieron un desierto en un bosque (Os agricultores que transformaram um deserto em floresta)

BBC News Mundo · 2021 · 6 min · espanhol, com as entrevistas legendadas

Ernst Götsch e seu aluno Nelson Araújo, que recuperou quase dois hectares do semiárido brasileiro à beira da desertificação: cacau à sombra, «plantar água» e a volta dos riachos e dos animais.

Por que recomendamos

É curto, está em espanhol e mostra com imagens o antes e o depois de uma agrofloresta.

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 10 anos. Seis minutos: serve para abrir um debate em sala de aula. Há versões em português e em inglês.

Onde assistir

Agentes agroflorestais do Acre

Haskai Nukũ Yunu Bei Keyui Ikimekãi? (Por que estamos perdendo a roça?)

Comissão Pró-Indígenas do Acre · Brasil · 2021 · 4 min · animação em língua indígena, com legendas em português

Uma mulher huni kuin conta como o aquecimento global está fazendo as aldeias do Acre perderem suas roças. A animação foi feita pelos agentes agroflorestais indígenas (AMAAIAC) e pelos professores indígenas (OPIAC) com a CPI-Acre.

Por que recomendamos

É contada pelos próprios agentes agroflorestais indígenas do Acre, a rede com a qual a associação colaborou em 2017 no projeto Território Indígena.

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 8 anos. Quatro minutos de animação: serve para começar a falar do clima com as crianças menores.

Onde assistir

Povos do Xingu

O que é a Rede de Sementes do Xingu?

Instituto Socioambiental (ISA) · Brasil · 2021 · 5 min · português, com legendas em inglês

Mulheres indígenas, agricultores e moradores das cidades coletam sementes nativas da floresta. Misturadas na «muvuca», elas já fizeram crescer floresta em quase 7.000 hectares.

Por que recomendamos

Mostra outra maneira de fazer a floresta voltar: semeá-la diretamente, com sementes coletadas pelas próprias comunidades.

Para a sala de aula

Indicativo: a partir de 10 anos. Cinco minutos.

Onde assistir

Catalunha

Agricultura regenerativa na fazenda Planeses

CREAF e Hope! · Girona · 2020 e 2022 · 17 e 6 min · espanhol

Na fazenda Planeses, em Girona, o CREAF integra floresta, gado e cultivos para regenerar o solo: pastejo que muda de piquete todos os dias, galhos triturados da floresta e horta sem arar.

São dois vídeos: a palestra de Marc Gràcia, do CREAF, sobre as bases da agricultura regenerativa e o projeto Polyfarming, e o vídeo de Javier Peña (Hope!) gravado na mesma fazenda. Segundo Gràcia, a matéria orgânica do solo passou de 1,8% para entre 5% e 6%.

Por que recomendamos

É a agricultura regenerativa aqui, na Catalunha: o mesmo trabalho da agrofloresta na Amazônia.

Para a sala de aula

Indicativo: o vídeo da Hope!, a partir de 12 anos (6 minutos); a palestra do CREAF, a partir de 14 (17 minutos).

Onde assistir

Povo Puyanawa

Identidade do Povo Puyanawa

Brasil · 2024 · 3 min · português

«Como você imagina que é um indígena?» Um vídeo curto do próprio povo Puyanawa que desmonta a ideia de que todos os povos indígenas são iguais e de que há um só jeito de parecer indígena.

Por que recomendamos

É o povo com quem trabalhamos, falando de si mesmo. Em três minutos derruba o estereótipo que mais encontramos nas salas de aula, e faz isso melhor do que qualquer explicação nossa.

Para a sala de aula

A partir do 5.º ano. Três minutos, perfeito para abrir uma sessão da oficina de interculturalidade.

Onde assistir

Txai Macedo

As primeiras reservas extrativistas do mundo foram criadas na Amazônia

TEDxAmazônia · Brasil · 12 min · português

Txai Macedo conta em doze minutos como as lutas dos seringueiros do Acre acabaram criando as primeiras reservas extrativistas do mundo.

Por que recomendamos

Txai Macedo foi sócio honorário da nossa associação e amigo e mentor de Adolf Sanz. É o vídeo mais curto desta página e o que melhor resume de onde vem o Acre em que trabalhamos.

Para a sala de aula

A partir dos 14 anos. Doze minutos: cabe numa aula com tempo para comentar.

Onde assistir

Ailton Krenak

Posse na Academia Brasileira de Letras

Academia Brasileira de Letras · Brasil · 2024 · 2 h 02 · português

Em 5 de abril de 2024, Ailton Krenak tornou-se o primeiro indígena a entrar na Academia Brasileira de Letras, a instituição mais antiga das letras do país. A sessão solene inteira, com seu discurso.

Por que recomendamos

É um momento histórico e se vê sem intermediários. Krenak não vai receber um prêmio: vai dizer, diante da elite literária brasileira, que o pensamento do seu povo tem lugar ali. Seu livro Ideias para adiar o fim do mundo é uma das leituras que estão por trás da nossa seção de Povos.

Para a sala de aula

Ensino médio e formação de professores. São duas horas: para a sala de aula, melhor escolher o discurso de Krenak.

Onde assistir

Ailton Krenak

«Do sonho e da terra»

Teatro Maria Matos (Lisboa) · 2017 · 2 h 08 · português

Conferência dentro do ciclo Questões indígenas. Krenak fala do sonho como forma de conhecimento, da terra como parente e do que significa viver sem separar natureza e cultura.

Por que recomendamos

É a palestra que melhor explica, com as palavras dele, o que na seção de Povos contamos com vocabulário acadêmico. Se só der para ver uma coisa de Krenak, que seja esta.

Para a sala de aula

Ensino médio e formação de professores. Português de Portugal, sem legendas.

Onde assistir

Ailton Krenak

Vozes do Rio Doce

Ipatinga (Minas Gerais) · 19 de outubro de 2024 · 1 h 48 · português

Encontro com jovens estudantes sobre o rio Doce, o rio do povo krenak, contaminado pelo rompimento da barragem de Mariana em 2015.

Por que recomendamos

Krenak conversando com estudantes do ensino médio, não com acadêmicos. É o registro mais próximo do que acontece numa sala de aula, e o caso do rio Doce conecta com o que explicamos sobre os direitos da natureza.

Para a sala de aula

Ensino fundamental II e médio. O público do vídeo tem a idade dos estudantes.

Onde assistir

Gersem Baniwa

Povos indígenas e educação

Instituto Unibanco · Brasil · 2021 · 19 min · português

Gersem Baniwa conta sua própria trajetória, os desafios da educação escolar indígena no Brasil e como se educa no seu povo: com a comunidade inteira corresponsável, não só a escola.

Por que recomendamos

É o primeiro indígena doutor em antropologia do Brasil e a referência acadêmica da educação escolar indígena. Dezenove minutos que explicam por que uma escola indígena não pode ser a escola de sempre traduzida para outra língua. Do melhor que existe para preparar uma reunião de professores.

Para a sala de aula

Formação de professores. Também serve no ensino médio. Português sem legendas, mas ele fala devagar e claro.

Onde assistir

Daniel Munduruku

Olhar Indígena: sobre educação indígena

Canal de Daniel Munduruku · Brasil · 2018 · 12 min · português

Conversa descontraída com o escritor e pedagogo Daniel Munduruku sobre como se aprende nos povos indígenas: onde começa a educação, quem educa e por que cada povo precisa do seu próprio material.

Por que recomendamos

Munduruku escreveu mais de cinquenta livros infantis e juvenis e há décadas entra em escolas. Quando diz que a educação começa em casa e que não serve um material igual para todos os povos, está falando exatamente do que encontramos na Rede.

Para a sala de aula

Formação de professores e ensino médio. Doze minutos, fácil de encaixar numa sessão.

Onde assistir

Célia Xakriabá

Culturas indígenas

Itaú Cultural · Brasil · 2017 · 6 min · português

A professora Célia Xakriabá explica, a partir da sua experiência como educadora, o que precisaria mudar para que a educação indígena fosse de fato autônoma e não uma cópia da escola de fora.

Por que recomendamos

Seis minutos e vai direto ao ponto. É a voz mais jovem desta lista: professora, depois primeira mulher indígena na gestão educacional de Minas Gerais e hoje deputada. Fala da escola de dentro e de baixo.

Para a sala de aula

A partir do 9.º ano. Seis minutos: cabe no começo de qualquer sessão.

Onde assistir

Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia

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