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Ficha

Como se autodenominam
Puyanawa
Família linguística
Pano
População
745 pessoas (Siasi/Sesai, 2014)
Onde vivem
Município de Mâncio Lima, estado do Acre (Brasil), na Terra Indígena Poyanawa
Aldeias
Barão e Ipiranga
Escola
Escola Estadual Indígena Ixubãy Rabuĩ Puyanawa

Os dados de população, língua e território vêm da ficha do povo Puyanawa de Povos Indígenas no Brasil, a enciclopédia do Instituto Socioambiental (ISA).

A história do cativeiro

No fim do século XIX, a febre da borracha levou milhares de pessoas ao vale do Juruá. Os primeiros encontros com os Puyanawa foram violentos: expedições armadas entraram em seu território para abrir seringais, onde se extraía o látex.

No início do século XX, o povo ficou sob o controle do coronel Mâncio Lima —o mesmo nome que hoje leva o município— e foi submetido a trabalho forçado nos seringais. Nesse período foram proibidos de falar sua língua e de praticar seus rituais; as crianças eram castigadas por usar a língua dos pais. Foi uma escravidão de fato que durou décadas.

Hacia 1950 se libertaram desse regime, mas sem terra própria. A luta pelo reconhecimento de seu território se estendeu pela segunda metade do século XX, até que a Terra Indígena Poyanawa foi reconhecida oficialmente, já neste século.

Resumo elaborado pela EiAmazonia a partir da ficha do povo Puyanawa de Povos Indígenas no Brasil (Instituto Socioambiental) e dos depoimentos recolhidos com a comunidade para a exposição «Povo Puyanawa».

As duas aldeias

A Terra Indígena Poyanawa fica no município de Mâncio Lima, no extremo oeste do Brasil, bem perto da fronteira com o Peru. É a ponta do estado do Acre, no vale do Juruá, uma das regiões de maior biodiversidade do planeta e, ao mesmo tempo, das mais isoladas: para chegar é preciso voar até Cruzeiro do Sul e seguir de carro.

A comunidade vive em duas aldeias, Barão e Ipiranga, separadas por alguns quilômetros. Os nomes vêm dos antigos seringais, onde seus avós foram obrigados a trabalhar. O território que hoje é deles ainda leva o nome de quem o tomou.

Na aldeia há escola, posto de saúde, igreja, campo de futebol e uma maloca comunitária: uma grande construção circular de madeira e palha onde acontecem as festas, a comunidade se reúne e, muitas vezes, também se dá aula.

A festa como escola

Todo ano a comunidade celebra seus festivais culturais: dias inteiros de cantos, danças, pintura corporal e comida compartilhada, com famílias das duas aldeias e visitantes de outros povos. Para a comunidade é o momento em que a língua, a memória e os cantos são transmitidos aos mais novos diante de todos.

Muitos desses cantos são os que foram gravados em 2016 na aldeia para o disco Dimãnã ewe yûbabu, o primeiro do povo Puyanawa. É um arquivo sonoro feito pela própria comunidade para guardar o que só existia na memória dos mais velhos.

  • Retrato de uma pessoa do povo Puyanawa com pintura facial
  • Retrato de uma pessoa do povo Puyanawa
  • Retrato de uma pessoa mais velha do povo Puyanawa
  • Retrato de uma jovem do povo Puyanawa

Retratos da exposição «Povo Puyanawa». Fotografias de Blat García Vergés e Adolf Sanz Monfort; tratamento de Alba Rodríguez Núñez. Ver a exposição completa →

A língua, da proibição à escola

A língua puyanawa pertence à família pano, a mesma de vários povos vizinhos do Juruá. As décadas de proibição a deixaram à beira do desaparecimento: durante anos só os mais velhos a falavam com fluência.

A recuperação pede tempo: é preciso que alguém a ensine, que haja materiais, que as crianças tenham com quem falá-la e que a comunidade decida que vale a pena. Tudo isso leva anos e é, sobretudo, trabalho da própria gente.

Hoje a recuperação da língua é o centro do projeto educativo da comunidade. É ensinada na escola, cantada nas festas e aparece nos materiais que os próprios professores indígenas preparam. O conto «Els Puyanawa i l’Eruga de colors – Hêda Cêkaya» foi publicado em catalão e em puyanawa, e o disco «Dimãnã ewe yûbabu» reúne os cantos tradicionais gravados na aldeia.

Cultura e vida na aldeia

Entre os traços registrados pelos estudos etnográficos estão as tatuagens faciais, o artesanato com fibras e sementes, os rituais funerários e as formas tradicionais de construção, como a maloca comunitária, que é ao mesmo tempo lugar de festa, de reunião e de escola.

A vida econômica combina a roça para o consumo próprio —mandioca, banana, milho— com a caça, a pesca, a coleta e a venda de alguns produtos no município.

Todo ano a comunidade celebra suas festas com cantos, danças e pinturas corporais: é quando a língua, a memória e o território são postos em comum diante de todos, a começar pelas crianças.

Como se organizam

A comunidade tem um cacique como máxima autoridade tradicional e uma associação própria, a Associação Agroextractivista Puyanawa do Barão e Ipiranga (AAPBI), que gere projetos, representa a comunidade diante das instituições e tem sido a entidade parceira local dos nossos projetos.

A escola tem ainda seu próprio Comitê, que a partir de 2026 passa a ser contraparte direta da Rede: a gestão vai ficando cada vez mais nas mãos da comunidade escolar.

O que fazemos juntos

A relação começou em 2016, com a amizade entre Adolf Sanz e Puwê, e com a gravação do primeiro disco do povo Puyanawa na aldeia. Daí saíram as visitas a escolas catalãs, o conto, a exposição e, em 2017, a Rede de Escolas Guardiãs da Amazônia.

Fontes

  • Instituto Socioambiental, Povos Indígenas no Brasil, ficha do povo Puyanawa (população, língua, território, história do contato e organização).
  • Siasi/Sesai, Ministério da Saúde do Brasil (dados de população, 2014).
  • Depoimentos e fotografias recolhidos com a comunidade para a exposição «Povo Puyanawa» e para o Relatório 2025 da Rede.

Se você encontrar um erro ou quiser que completemos algo, escreva para info@eiamazonia.org.

Pessoas da comunidade Puyanawa dançando em círculo, de mãos dadas

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